Segunda-feira, 11/05/26

Música feita por ia engana 97% dos ouvintes, revela estudo

Getty Images

Uma pesquisa recente revelou que a grande maioria dos ouvintes não consegue distinguir entre músicas geradas por inteligência artificial e aquelas criadas por humanos. O estudo, realizado pela Deezer em parceria com a Ipsos, entrevistou 9 mil pessoas em oito países, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido e França, e constatou que 97% dos participantes não notaram a diferença entre as faixas.

O levantamento lança luz sobre as crescentes questões éticas na indústria musical, onde ferramentas de IA capazes de gerar músicas levantam preocupações sobre direitos autorais e ameaçam os meios de subsistência de artistas. Além da dificuldade em distinguir a origem da música, a pesquisa também revelou que a maioria dos ouvintes defende a rotulagem clara de músicas geradas por IA.

De acordo com o estudo, 73% dos entrevistados apoiam a divulgação quando faixas criadas por IA são recomendadas. Uma parcela significativa, 45%, gostaria de ter opções de filtragem para evitar esse tipo de conteúdo, enquanto 40% afirmaram que simplesmente ignorariam músicas geradas por IA. Um dado que chama a atenção é que 71% das pessoas se mostraram surpresas com a própria incapacidade de diferenciar faixas humanas de sintéticas.

A plataforma de streaming Deezer, que possui 9,7 milhões de assinantes, observou um aumento significativo no número de uploads diários de músicas geradas por IA, que saltaram para mais de 50 mil – cerca de um terço do total de uploads. Em abril, esse número representava 18%. Diante desse cenário, a empresa implementou a marcação de músicas criadas por IA e as excluiu de listas de reprodução editoriais e recomendações algorítmicas, buscando promover a transparência.

O presidente-executivo da Deezer, Alexis Lanternier, reafirmou o compromisso da empresa em proteger a criatividade humana e defendeu a necessidade de transparência no setor. Lanternier também mencionou a complexidade de se implementar sistemas de pagamento diferenciados para música com IA, ressaltando que uma mudança abrangente nas políticas de remuneração ainda representa um desafio. A Deezer também informou que começou a excluir streams falsos dos pagamentos de royalties.

O debate sobre a utilização da IA na música ganhou força após o caso da banda virtual “The Velvet Sundown”, que atraiu um milhão de ouvintes mensais no Spotify antes de suas origens sintéticas serem reveladas.

Embora as opiniões dos consumidores sobre o uso de IA na mídia permaneçam divididas, uma pesquisa realizada pela Luminate em maio indicou que a maioria do público nos EUA se mostra indiferente ou receptiva ao uso de IA em tarefas cinematográficas, como efeitos visuais, mas demonstra ceticismo em relação a roteiros escritos por IA ou atores sintéticos.

Fonte: forbes.com.br

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