Terça-feira, 09/12/25

Não é só o sol: estrela ejeta plasma em fenômeno inédito

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Astrônomos registraram, pela primeira vez, a emissão de um jato de plasma por uma estrela além do Sol. O fenômeno, conhecido como ejeção de massa coronal (CME), é comparável às explosões solares e foi detectado através de uma combinação de observações da sonda espacial XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), e do radiotelescópio LOFAR, uma rede de antenas espalhadas pela Europa.

A descoberta, publicada nesta quarta-feira (12) na revista Nature, representa um marco na astronomia, confirmando que outras estrelas também são capazes de produzir essas erupções massivas. CMEs consistem em grandes quantidades de gás superaquecido e campos magnéticos expelidos das camadas externas de uma estrela.

No caso do Sol, quando essas ejeções atingem a Terra, podem causar auroras boreais e afetar sistemas de comunicação e redes elétricas. Em outros sistemas estelares, no entanto, uma CME pode ser ainda mais devastadora, removendo a atmosfera de planetas orbitando muito próximos à estrela. Até então, a existência de CMEs fora do Sistema Solar era apenas teórica.

O sinal decisivo foi uma intensa emissão de ondas de rádio, captada pelo LOFAR. Essa emissão só poderia ter sido gerada se o plasma tivesse escapado completamente do campo magnético da estrela, indicando uma ejeção genuína.

A estrela observada é uma anã vermelha localizada a 130 anos-luz de distância, considerada relativamente próxima em termos galácticos. Anãs vermelhas são menores e mais frias que o Sol, mas podem ser muito mais ativas. A estrela em questão possui metade da massa solar, gira 20 vezes mais rápido e tem um campo magnético 300 vezes mais forte. Estrelas desse tipo são comuns na Via Láctea e muitas possuem planetas orbitando ao seu redor. A detecção de uma CME tão poderosa sugere que o clima espacial ao redor dessas estrelas pode ser extremamente intenso.

Análises indicam que o plasma foi lançado a uma velocidade de 2.400 km/s, o equivalente a quase 8,6 milhões de km/h. Apenas uma pequena porcentagem das ejeções solares atinge velocidades comparáveis. Se um planeta orbitasse próximo a essa estrela, provavelmente teria sua atmosfera removida, tornando-se inabitável.

A descoberta reforça a importância de considerar o clima espacial estelar ao avaliar a habitabilidade de exoplanetas. Para que um planeta seja considerado potencialmente habitável, ele precisa estar na “zona habitável”, onde a temperatura permite a existência de água líquida. No entanto, se a estrela for muito ativa e emitir CMEs violentas com frequência, mesmo um planeta localizado nessa zona pode perder sua atmosfera.

O telescópio XMM-Newton, lançado em 1999, é dedicado ao estudo do Universo em raios X e já observou buracos negros, núcleos de galáxias e explosões estelares. Cientistas afirmam que a descoberta demonstra o potencial da missão, auxiliando na compreensão de como as ejeções variam entre as estrelas e como influenciam a busca por mundos habitáveis.

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