Sexta-feira, 31/07/26

Nota de crédito do Brasil deve ser reavaliada apenas em 2027, diz Moody’s

Nota de crédito do Brasil deve ser reavaliada apenas em 2027, diz Moody’s
Nota de crédito do Brasil deve ser reavaliada apenas em – Reprodução

JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS

A agência de classificação de risco Moody’s prevê que uma nova avaliação de nota de risco do Brasil será feita apenas em 2027, após o resultado das eleições para presidente, deputados federais e senadores.

A previsão veio de William Foster, vice-presidente de risco soberano da Moody’s Ratings, em evento nesta quinta-feira (30). Ele afirmou que haverá um comitê de avaliação de risco após eleições no ano que vem, sem uma data já marcada. Porém, se necessário, o país pode ser reavaliado anteriormente.

“Independentemente de qual governo assuma o poder, as decisões de política fiscal e o roteiro que será traçado para os próximos anos serão determinantes para a classificação de risco do Brasil. Esse é, atualmente, o fator mais importante para a nota de crédito do país”, disse William Foster, vice-presidente de risco soberano da Moody’s Ratings, em evento nesta quinta-feira (30).

Em maio deste ano, a agência de ratings alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de positiva para estável, mantendo-a em Ba1, abaixo do grau de investimento, o que reduz o fluxo de capitais para o país.

Foster estima que é necessário um ajuste fiscal equivalente a cerca de 2% a 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil nos gastos primários para estabilizar a trajetória da dívida pública e reduzir o risco fiscal do país.

Em maio, a dívida bruta do Brasil alcançou 81,1% do PIB, segundo dados do Banco Central. Neste ritmo, a Moody’s espera que ela chegue a aproximadamente 90% até 2030.

Para evitar a escalada, a agência ressalta a importância de reformas fiscais. Uma das alternativas seria reduzir a indexação automática das despesas, especialmente previdência e programas sociais, com a inflação.

O alto endividamento do país é apontado por investidores, e pelas agências de rating como o principal motivo pelos juros altos no país que, por sua vez, inflam a dívida. Quanto mais um país deve, maior o risco dele não pagar, o que leva os investidores a cobrarem uma remuneração maior para financiar o Tesouro Nacional. Isso, por sua vez, encarece o custo do dinheiro.

Ele vê como única a situação brasileira de ter o pagamento do juros da dívida correspondendo a uma fatia tão grande da riqueza. “Por exemplo, em 2025, os pagamentos de juros corresponderam a cerca de 7,7% do PIB. Já quando se observa a média da América Latina, esse percentual fica em torno de 3% do PIB”, diz Foster.

Outra mudança chave levantada pela agência americana é redução estrutural dos juros reais, o que aumentaria os efeitos da Selic sobre a inflação. Para isso, além de cortes de gastos, é necessário credibilidade.

“O principal problema que enxergamos atualmente é a credibilidade fiscal. Ela só deverá melhorar se o governo conseguir criar espaço fiscal, reduzir a rigidez do Orçamento e abrir margem para melhorar a qualidade dos gastos ou diminuir as pressões sobre as despesas ao longo do tempo”, disse o analista da Moody’s Ratings.

Além das despesas obrigatórias, o executivo destacou o peso das emendas parlamentares no gasto do país.

“O que representava cerca de 2% dessas despesas em 2015 hoje corresponde a aproximadamente 24%, reduzindo significativamente a margem de manobra do governo para definir a alocação dos recursos públicos”, afirmou Foster.


T LB

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