16/06/2021 às 07h29min - Atualizada em 16/06/2021 às 07h29min

Autor de chacina no DF sacrificou vítima em ritual satânico

Mechas de cabelo cortadas e uma orelha arrancada eram parte da cerimônia satanista feita pelo psicopata Lázaro Barbosa, de 32 anos

Investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apuram as circunstâncias macabras que envolvem o assassinato de Cleonice Marques de Andrade, 43 anos. O psicopata Lázaro Barbosa de Sousa, 32, autor da chacina que também tirou a vida do marido e dos dois filhos da mulher, teria sacrificado a vítima em um ritual satânico.
 

Mechas de cabelo cortadas e uma orelha arrancada eram parte do ritual feito às margens do córrego em mata próxima ao Incra 9, Ceilândia, onde ocorreu o crime brutal.

No cerrado, as equipes de busca formadas pela coalização de forças de segurança encontraram, perto de um riacho, vários objetos que foram utilizados na cerimônia satanista. Lázaro distribuiu os mesmos apetrechos em dois acampamentos montados por ele já durante seus dias de fuga.

Nas buscas feitas no imóvel em que a mãe de Lázaro morava, em uma área rural da região conhecida como Girassol, os policiais se depararam com altares e tigelas de barro com dinheiro e cachaça. Também havia pentagramas desenhados no chão e uma cruz invertida, cenário reproduzido em dois dos seus esconderijos.

Segundo a Polícia Militar de Goiás (PMGO), Lázaro alega estar possuído por um espírito. Ele também teria dito que “vai levar o tanto de gente que puder”. De acordo com o tenente Gerson de Paula, o criminoso seria integrante de uma seita.

As informações teriam sido dadas pelo próprio Lázaro a vítimas de um assalto que ele realizou em Goiás, no mês passado, segundo o oficial. Na ocasião, levou armas e celulares. Há indícios de que o criminoso pratica os rituais desde a adolescência.

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Ligação com desaparecimentos

Em função do perfil de Lázaro ter traços de psicopatia e por ele conhecer tão bem a mata, a PCDF anunciou que irá apurar a suposta ligação do criminoso com o desaparecimento de mulheres na região em que o suspeito cometeu a chacina e em cidades do Entorno.

Enquanto não é encontrado, Lázaro continua aterrorizando moradores da pequena Edilândia (GO). Na tarde dessa terça-feira (15/6), ele fez três pessoas da mesma família reféns em uma chácara.

De acordo com as vítimas, todos foram obrigados a ficar nus na beira de um rio e acreditam que só não foram mortos porque uma equipe de policiais chegou ao local, iniciando uma troca de tiros que acabou com um PM goiano baleado de raspão no rosto. O militar não corre risco de morte.

Antes de confrontar os policiais, o criminoso escondeu a família com folhas de bananeira, que ele mesmo cortou, para que os reféns não fossem avistados pelo suporte aéreo das forças de segurança. Lázaro ainda conseguiu estocar comida com a invasão à chácara. “Antes de a polícia chegar, meu tio disse que ele pegou 1 kg de comida”, afirmou o sobrinho de uma das vítimas.

Índio

O criminoso foi criado no município baiano de Barra do Mendes. Acostumado a andar na mata sozinho desde criança, ganhou o apelido de índio. Segundo familiares contaram aos investigadores, ainda jovem ele chegava a passar várias horas embrenhado na floresta e só retornava para comer.

Durante todos esses dias de fuga, a coalizão percebeu que Lázaro tem habilidade para se camuflar no mato, mas é inapto para achar alimentos e sobreviver por muitos dias.

“Percebemos que ele não tem habilidades em sobrevivência e conhecimento para conseguir a própria comida. Ele se arrisca indo até as chácaras para roubar e furtar mantimentos. Mais do que isso, chegou a colocar as vítimas para cozinhar para ele”, disse uma fonte policial.

Cerco policial

Na tarde dessa terça, a polícia fez cerco ao suspeito próximo a um milharal na área de Edilândia, onde Lázaro foi flagrado por câmeras de segurança de uma propriedade rural.

Na manhã do mesmo dia um caminhoneiro de frete relatou ter visto um homem atravessar a BR-070 e adentrar uma área de mata. Os policiais da base da operação montada na região e helicópteros das corporações seguiram para o local.

Desde que matou a família Vidal, Lázaro segue invadindo propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, o criminoso entrou em outros dois locais. Obrigou os chacareiros a cozinharem para ele e até a fumarem maconha. Sempre agressivo, chegou a roubar um carro e incendiá-lo, próximo a Cocalzinho.

No sábado (12/6), invadiu a fazenda da família de um soldado do 8⁰ BPM, próximo à Lagoa Samuel, fez o caseiro refém, quebrou tudo, bebeu, fumou maconha e também obrigou o funcionário a consumir a droga.

Segundo a corporação, o militar chegou à propriedade no início da noite, foi até a cancela e, provavelmente, ao abri-la, o homem fugiu, levando o caseiro como refém.

O criminoso seguiu para a fazenda ao lado, a cerca de 700 metros, e baleou três homens. Havia no local uma mulher e uma criança. Testemunhas informaram que o suspeito da chacina colocaria fogo na casa, mas desistiu de última hora.

Troca de tiros

Já np noite de segunda (14/6), Lázaro trocou tiros com um caseiro na área de Cocalzinho (GO). “Acho que acertei [o Lázaro], porque ele gemeu, [disse]. ‘Desgraçado, você me atirou, eu vou te matar’, ele falou”, narrou o trabalhador.

O funcionário da propriedade rural teria atirado pelo menos oito vezes contra o suspeito, que conseguiu fugir. Apesar do testemunho, não há confirmação oficial se realmente ele saiu ferido do embate.

 


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