07/08/2022 às 06h41min - Atualizada em 07/08/2022 às 06h41min

Caiado entrega “esmola social” como moeda de troca no Entorno

Desesperado pela sua reeleição, o governador Ronaldo Caiado, estaria fazendo uso político eleitoral do programa "mães de Goiás", um auxílio de 250 reais, que ele faz questão de entregar pessoalmente em cima dos palanques às famílias pobres do interior do estado. O Ministério Público monitora e está de olho nos salamaleques caiadista.

Tony Duarte
Radar DF
Os municípios do Entorno, região considerada a mais pobre do estado de Goiás, continua invisível, até hoje, aos olhos do Palácio das Esmeraldas, que fica na rica capital Goiânia, a 200 quilômetros de distância.
 
Nos últimos três anos e meio, do governo de Ronaldo Caiado (União), a única obra do pré-candidato à reeleição, carregada a tiracolo, são os cartões do “programa mães de Goiás”, no valor de R$250, considerado por alguns ex-aliados como “esmola social” para amenizar a fome de famílias pobres da região.
 
A cada visita de Caiado, pelo interior goiano, famílias vulneráveis fazem filas e enchem auditórios, ainda que não tenham feito a primeira refeição do dia, para aplaudir Caiado, em seus eventos políticos.

 
A seis meses das eleições de outubro, em que o governador luta com todas as armas para se manter por mais quatro anos no poder, a “esmola social” distribuída, pessoalmente por ele, nos municípios do Entorno e no restante do estado, são como se fossem “santinhos” da propaganda eleitoral.
 
Os modus operandi caiadista começou chamar a atenção do próprio Ministério Público Eleitoral sobre a distribuição dos “cartões mães de Goiás”, que ocorre em cima de palanques armados que reúne, além de Caiado, pré-candidatos a deputados estaduais, federais e prefeitos de plantão.
 
As denúncias chegadas ao MPE-GO, referem-se à distribuição dos cartões como “um gesto simbólico pela compra de votos”, expondo Ronaldo Caiado, em fotos, vídeos e discursos do governador.
 
Na visão dos mais criticos, a velha política goiana, que está no seu fim, criou um novo conceito: “se não existe almoço de graça, esmola também, não”.
 
Voltando a banda mais pobre do estado, o Entorno continua no mesmo status quo de sempre. A população segue abandonada, há décadas, de todas as políticas públicas.
 
O que há de diferente nesse ano político, em meio ao eleitorado do Entorno, é a informação chegada à palma das mãos, que faz do cidadão ficar mais esperto na hora de depositar o voto na urna.
 
A alta rejeição de Caiado na região, conforme levantamentos qualitativos realizadas no mês passado, fazem os prefeitos caiadistas da região a não se moverem pela reeleição do governador goiano.
 
Nenhum deles quer sair as ruas para pedir votos por não terem o que dizer.
 
Os chamados prefeitos eleitos e reeleitos, no pleito municipal de 2020, preferem não arriscar a própria pele ao confrontar o eleitorado do Entorno, cada vez mais revoltado com os políticos.
Além do mais, a prefeitada do Entorno enxerga que as eleições municipais de 2024 estão bem ali.
 
*Toni Duarte é Jornalista e editor do Radar-DF, com experiência em análises de tendências e comportamento social e reconhecido nos meios jornalísticos e políticos da capital federal. Siga o #RadarDF


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