Terça-feira, 14/04/26

Nunes Marques abre inquérito contra Buzzi, ministro do STJ acusado de assédio sexual

Nunes Marques abre inquérito contra Buzzi, ministro do STJ acusado de assédio sexual
Nunes Marques abre inquérito contra Buzzi, ministro do STJ acusado – Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques determinou a abertura de um inquérito para investigar o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, que está afastado da Corte por suspeita de assediar sexualmente uma jovem de 18 anos.

Foto: Emerson Leal/STJ/

Buzzi, que nega a acusação, está afastado do STJ desde fevereiro A abertura do inquérito pelo STF ocorre no mesmo dia em que o STJ avalia se instaura processo administrativo contra o ministro, com tendência, segundo apurou o Estadão, de decisão favorável à apuração. Ao fim do procedimento, caberá ao STJ decidir se aplica ou não uma eventual condenação.

O crime que passa a ser investigado pelo Supremo teria ocorrido durante o recesso no início do ano, quando Buzzi recebeu uma família de amigos em sua casa de praia, em Balneário Camboriú (SC). A filha do casal, que chamava o ministro de tio, relatou que Buzzi tentou agarrá-la à força. Acompanhada dos pais, a vítima registrou um boletim de ocorrência na polícia.

Nunes Marques acolheu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou favorável à abertura de inquérito no Supremo para apurar a conduta de Buzzi.

Na decisão, o ministro afirmou que “as declarações prestadas pela vítima, por seus genitores e as provas produzidas nas instâncias administrativas (…) conferem, em exame inicial, plausibilidade à hipótese delitiva apresentada, revelando-se suficientes para dar início à persecução penal”.

O ministro do STF também determinou o envio do caso à Polícia Federal, que ficará responsável por conduzir as investigações, colher provas e ouvir envolvidos. A corporação terá prazo de 60 dias para realizar essas diligências e avançar na apuração dos fatos.

Além da sindicância no STJ e o inquérito no Supremo, o caso está sendo investigado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na última semana, novos depoimentos no caso de assédio sexual envolvendo o ministro Marco Buzzi apontaram a existência de outras duas mulheres que também podem ter sido vítimas do magistrado.

Uma ex-funcionária do STJ que acusa Buzzi de assédio relatou um episódio envolvendo outra possível vítima, uma funcionária terceirizada do gabinete do ministro. Segundo o depoimento, essa mulher seria sobrinha de uma funcionária da casa do ministro e teria sido levada ao tribunal e contratada como uma espécie de estagiária.

“Em um determinado momento, eu vi a X saindo chorando da sala do ministro e ela me relatou que o ministro tinha solicitado que, quando ela fosse trabalhar, fosse somente de cabelo amarrado, sem maquiagem, e que usasse saia. E (também) que ela excluísse a foto de WhatsApp dela e que utilizasse a foto que ele mesmo tirou dela lá no gabinete”, relatou.

A vítima ouvida pelo CNJ mencionou ainda o caso de uma quarta pessoa, que teria deixado um alto cargo no gabinete após ter sofrido assédio sexual.

A defesa de Buzzi nega as acusações e diz que o vazamento de depoimentos “viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o Superior Tribunal de Justiça”.

Segundo os advogados do ministro, “as duas supostas novas vítimas mencionadas não são novas e nem são vítimas. As referências às duas mulheres surgiram no início do caso e foram logo descartadas por falta de qualquer fundamento”.

Aposentadoria

Como mostrou o Estadão, integrantes do STJ pressionam Marco Buzzi para que antecipe a sua aposentadoria como forma de estancar a crise que tem desgastado a imagem da Corte. O magistrado, no entanto, se recusa a adotar essa estratégia.

A reportagem ouviu de ministros e seus interlocutores que duas mensagens têm sido enviadas a Buzzi para que se convença. A primeira delas deixa claro que o ministro tende a ser condenado no Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que enfrentará, o que implicaria em ser penalizado com a aposentadoria compulsória, que reduz os seus vencimentos proporcionalmente até a data da sanção. Para a magistratura, essa pena tem um simbolismo drástico.

A despeito dos conselhos do colega, Buzzi se recusa a deixar o tribunal e pretende litigar em todas as frentes com o objetivo de provar a sua inocência.

Estadão Conteúdo

T LB

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