Sábado, 01/08/26

Nunes publica decreto que oficializa criação do Parque Municipal do Rio Bixiga

Nunes publica decreto que oficializa criação do Parque Municipal do Rio Bixiga
Nunes publica decreto que oficializa criação do Parque Municipal do – Reprodução

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), publicou nesta sexta-feira, 31, o decreto que oficializa a criação do Parque Municipal do Rio Bixiga, na Bela Vista, centro da capital

A área de 11,1 mil m² ao lado do Teatro Oficina foi alvo de uma disputa ao longo de mais de 40 anos. Em 2024, o terreno foi adquirido pela Prefeitura para a implantação do parque. Agora, a estimativa da gestão é de que o local fique pronto até o fim de 2028.

Em maio, o escritório Democratic Architects, liderado pelo arquiteto paulistano Antonio Roberto Zanolla, venceu o concurso de proposta para o parque. A empresa foi contratada para realizar o projeto executivo, fase que antecede e orienta a obra A execução dessa etapa teve início nesta semana. O prazo para conclusão é de dez meses – até maio de 2027.

A nova área verde será instalada no cruzamento entre as ruas Jaceguai, Abolição e Santo Amaro. Vizinhos do terreno, o Teatro Oficina e seu fundador, Zé Celso Martinez Corrêa, morto em 2023, defendiam a criação do parque há quatro décadas.

A propriedade, porém, pertencia à Sisan Empreendimentos, do Grupo Silvio Santos. A empresa já planejou construir desde shopping a condomínio com três torres no local, mas sempre enfrentou resistência e mobilizações contrárias do grupo artístico.

Em 2024, a Prefeitura comprou o terreno do Grupo Silvio Santos por R$ 64 milhões. Os recursos financeiros vieram de um acordo entre o Executivo, a Uninove e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O grupo de ensino aceitou pagar uma multa bilionária para se livrar de um processo por propinas a fiscais municipais em troca de imunidade tributária. O trato determinava que parte da verba fosse utilizada para a criação do parque.

Apesar de a briga entre o Teatro Oficina e o Grupo Silvio Santos sobre o uso do terreno ter se encerrado, a discussão segue sobre o nome do parque. Vereadores da capital de esquerda defendem homenagear Zé Celso, já os de direita reivindicam o tributo ao fundador da emissora SBT, morto em 2024.

Projeto inclui bosque ‘esponja’, recuperação de córrego e arena teatral

A principal medida será a renaturalização (processo de restaurar ecossistemas degradados) do Córrego Bixiga, hoje canalizado e soterrado na área do futuro parque.

A proposta da Democratic Architects organiza o terreno em duas partes: um setor alto, onde ficarão estruturas para programações culturais e esportivas, e um setor baixo, com um bosque agroecológico e o córrego.

“A proposta é ser um grande bolsão de drenagem, um ‘parque-esponja’. Vai escoar mais lentamente a água e ser reabsorvida de maneira progressiva pela terra, uma coisa que São Paulo perdeu (com o asfaltamento)”, afirma André Zanolla, integrante do escritório.

O parque terá praças de acesso abertas 24h, com oferta de banheiros públicos, passarelas garantindo a acessibilidade e vai se integrar à horta já existente na Rua Jaceguai.

O projeto prevê a criação de uma arquibancada ao ar livre nas costas do Oficina, visando a fornecer uma nova área de apresentações para o teatro e outros coletivos.

Estadão Conteúdo

T LB

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