Terça-feira, 13/10/26

O impacto do fenômeno El Niño no mundo nesta semana

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O impacto do fenômeno El Niño no mundo nesta semana – Reprodução

Escolas fechadas na Amazônia brasileira, incêndios excepcionais na Indonésia, preocupação com a falta de alimentos em várias regiões: os efeitos do poderoso fenômeno climático El Niño continuam ao redor do mundo.

O fenômeno, que aquece as águas do Pacífico, intensifica as secas e causa inundações e outros eventos meteorológicos extremos, com consequências visíveis para as populações.

Florestas em chamas na Indonésia e na Amazônia

Manaus, a maior cidade da Amazônia brasileira, fechou na sexta-feira suas escolas públicas devido à má qualidade do ar provocada pela fumaça de centenas de incêndios na floresta tropical.

O estado do Amazonas enfrentou 3.726 incêndios em setembro, mais de quatro vezes o número registrado no mesmo mês de 2025.

Na Indonésia, cuja temporada de incêndios é ampliada pelo El Niño, florestas e plantações estão em chamas há meses nas ilhas de Bornéu e Sumatra. Arrastada pelo vento, a fumaça provoca uma densa névoa em toda a região.

A Malásia fechou escolas em algumas áreas, incluindo a capital Kuala Lumpur, e Singapura reduziu na segunda-feira o custo do atendimento médico para doenças respiratórias relacionadas à fumaça dos incêndios.

Milhares de pessoas adoeceram por causa dos incêndios, e defensores do meio ambiente tentam resgatar dezenas de orangotangos presos pela fumaça e pelas chamas.

  • Cortes de eletricidade em Mianmar –
    As autoridades birmanesas alertaram a população sobre a possibilidade de cortes de energia, ao explicar que a rede estava submetida a uma forte pressão devido a uma onda de calor incomum para esta época do ano, causada pelo fenômeno El Niño, que provoca um aumento no consumo de eletricidade.

Os serviços meteorológicos de Mianmar também alertaram para “chuvas e tempestades atípicas, secas provocadas por calor extremo e escassez de água potável”.

Nas Filipinas, a ministra de Energia, Sharon Garin, declarou que o governo está se preparando para um aumento na demanda de energia e uma possível queda na produção hidrelétrica devido às condições mais quentes e secas.

FMI “muito preocupado” com a segurança alimentar

“Estamos nos preparando para apoiar os países vulneráveis caso a situação os afete com força”, disse.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) advertiu no domingo que a combinação de custos de endividamento mais elevados, o aumento dos preços da energia e o poderoso fenômeno El Niño está criando “uma tempestade capaz de fazer com que dezenas, ou até mesmo centenas de milhões de pessoas voltem à pobreza”.

O que dizem os cientistas

El Niño continuará se fortalecendo até atingir seu pico em dezembro, indicou na quinta-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU.

As temperaturas da superfície do mar no Pacífico atingiram em setembro o nível mais elevado já registrado, informou o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, enquanto a agência meteorológica do Japão declarou na sexta-feira que este El Niño é o de “maior intensidade já observado”.

Nem todos os meteorologistas utilizam a mesma escala para interpretar o El Niño, e a comparação é dificultada pelos efeitos paralelos das mudanças climáticas.

Números da semana

29,7 ºC: a temperatura recorde na superfície do mar registrada pelo Copernicus no Pacífico.

1: número de furacões na atual temporada do Atlântico, excepcionalmente fraca devido ao El Niño, ao contrário da intensa temporada do Pacífico.

71: saldo de mortos nas enchentes na Tailândia desde setembro.

46: orangotangos resgatados dos incêndios na Indonésia entre agosto e 9 de outubro.

O que é o “Super El Niño”?

O El Niño aumenta as temperaturas globais, e um ciclo mais forte intensifica os padrões climáticos extremos em diferentes regiões, como secas ou chuvas fortes.

O ciclo deste ano foi chamado de “super El Niño”, mas o termo usado por muitos cientistas é “muito forte”.

A referência para defini-lo é a anomalia na temperatura da superfície do mar em partes do Pacífico, atualmente em níveis recordes.

A mudança climática complica o quadro porque os oceanos já estão mais quentes, mas os cientistas conseguem isolar esse efeito para determinar o aumento real.

T LB

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