Quarta-feira, 20/05/26

ONU alerta que bloqueio de Ormuz poderia desencadear grave crise alimentar mundial

ONU alerta que bloqueio de Ormuz poderia desencadear grave crise alimentar mundial
ONU alerta que bloqueio de Ormuz poderia desencadear grave crise – Reprodução

O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz poderia provocar um “choque agroalimentar sistêmico” capaz de desencadear uma grave crise mundial de preços dos alimentos em um prazo de seis a doze meses, alertou a FAO nesta quarta-feira (20).

Antes de Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, um quinto do transporte marítimo mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz, e Teerã bloqueou essa via ao tráfego de petroleiros e navios de carga.

A agência da ONU afirmou em um comunicado que o bloqueio de Ormuz não é “uma interrupção temporária do transporte marítimo”, mas “o início de um choque agroalimentar sistêmico”.

Para evitar esse cenário, a FAO recomenda “estabelecer rotas comerciais alternativas, agir com moderação em matéria de restrições às exportações, proteger os fluxos humanitários e criar reservas para absorver o aumento dos custos de transporte”.

Chegou o momento de “começar a refletir seriamente sobre como aumentar a capacidade de absorção dos países, reforçar sua resiliência diante desse gargalo e começar a minimizar os possíveis impactos”, declarou Máximo Torero, economista-chefe da FAO, em um novo podcast publicado nesta quarta-feira.

Segundo a FAO, a janela para adotar medidas preventivas está se fechando rapidamente.

As decisões que agricultores e governos tomarem agora sobre o uso de fertilizantes, as importações e o financiamento (…) determinarão se uma grave crise mundial de preços dos alimentos eclodirá dentro de seis a doze meses, estima também a agência da ONU com sede em Roma.

O índice de preços dos alimentos da FAO, que acompanha a evolução mensal dos preços internacionais de uma cesta de produtos alimentícios comercializados em escala mundial, aumentou pelo terceiro mês consecutivo em abril devido aos elevados custos da energia e às perturbações relacionadas ao conflito no Oriente Médio.

O impacto se propaga em etapas: energia, fertilizantes, sementes, queda dos rendimentos, aumento dos preços das matérias-primas e, por fim, inflação alimentar, recorda a FAO.

A situação poderia se agravar com a chegada do El Niño, que deve provocar secas e alterar os regimes de chuvas e temperaturas em várias regiões, segundo a agência.

Para evitar esse risco, a FAO recomenda mais de vinte medidas de curto, médio e longo prazo, entre elas rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, créditos em condições acessíveis para agricultores e a criação de reservas regionais.

T LB

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