Quinta-feira, 04/06/26

pais de vítimas querem mochilas de volta, “vão queimar”

Rogério ao lado da filha, Isdora; Leila ao lado da filha, Mari - (Foto: arquivo pessoal)
pais de vítimas querem mochilas de volta, “vão queimar” – Reprodução

Exclusiva

Famílias informaram que o pedido foi negado pela Polícia Civil, que pretende incinerar as mochilas por risco de contaminação

Rogério ao lado da filha, Isdora; Leila ao lado da filha, Mari – (Foto: arquivo pessoal)

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*Com informações de Hugo Oliveira*

Pais dos cinco alunos que morreram no acidente com van escolar na GO-518 tentam recuperar as mochilas dos filhos, mas enfrentam dificuldades em Sanclerlândia, para onde os materiais e a carcaça do veículo coletivo foram enviados. Revoltados, dois deles revelam, com exclusividade ao Mais Goiás, que policiais civis negaram acesso aos itens, considerados por eles como últimas recordações dos estudantes que perderam a vida em Buriti de Goiás, na última segunda-feira (1°/6), enquanto voltavam para casa. “Estive na Polícia Civil (PC) para reaver os últimos registros da minha filha e me disseram que não entregariam. Falaram que estão contaminados e que vão queimar tudo. Já estamos sofrendo com a perda, a dor é imensa, e não podemos ficar com as últimas lembranças que nossas crianças deixaram”, disse um deles nesta quinta=feira (4/6). .

A reportagem ouviu os pais de Isadora Castro Neves, de 12 anos, e Maria Carolina Sabino Alves, de 11, que manifestaram o desejo de reaver os cadernos. Conforme Rogério Tolentino Neves, pai de Isadora, a delegacia responsável pela investigação negou a entrega na quarta-feira (3), afirmando risco de contaminação por parte do material. “Disseram que as mochilas estavam contaminadas, mas informei que não queria a mochila, mas o conteúdo dentro delas. Eles informaram que não poderiam entregar e que iriam incinerá-las. São as últimas escritas da minha filha, que ela escreveu naquele dia”, afirma.  

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Para Marcelo, o fato dos materiais da filha poderem ser destruídos aumenta ainda mais a dor da perda. O sentimento também é compartilhado por Leila Mirtes Mendes, mãe de Maria. A mulher diz que a última lembrança da filha é com o material que estão tentando recuperar. “Aquele material para ela era muito importante. Ela era caprichosa, cuidadosa com as coisas dela. Lá tem chaveiro, que ela ganhou das amigas quando viajaram. Lá tem tudo dela, até esmalte. Vamos entrar na justiça para conseguir os materiais”, reforçou. 

O Mais Goiás procurou a PC para que se posicionasse, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. 

Van transportava alunos do Colégio Militar de Sanclerlândia | Foto: CBMGO

Acidente na GO-518

O acidente ocorreu na noite de segunda-feira (1°), de acordo com o Corpo de Bombeiros. A van retornava para Córrego do Ouro quando aconteceu a colisão contra o caminhão. Os estudantes haviam saído da aula no Colégio Estadual Militar 5 de Janeiro, em Sanclerlândia. Cinco alunos morreram, sendo:

  • Lucas Antônio de Souza Dias, de 14 anos;
  • Ezequiel Souza Oliveira, de 14 anos; 
  • Izadora Monteiro da Silva, de 12 anos;
  • Isadora Castro Neves, de 12 anos;
  • Maria Carolina Sabino Alves, de 11. 

As vítimas fatais foram veladas em Córrego do Ouro e São Luís de Montes Belos. Quatros sobreviventes da van receberam alta na terça-feira (2) depois de serem levados para o Hospital Estadual São Luís de Montes Belos. Outros três estudantes foram para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia.

Da esquerda para a direita: Izadora Monteiro, Maria Carolina , Lucas Antônio, Isadora Castro e Ezequiel Souza -(Reprodução)

Investigação 

Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil para apurar as circunstâncias do acidente. A corporação informou em nota que se trata de uma investigação complexa, que deve demandar uma análise pericial detalhada para definir a dinâmica do acidente. 

O sinistro mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que montaram uma força-tarefa para socorrer as vítimas e resgatar as vítimas fatais presas às ferragens. As aulas foram suspensas em Sanclerlândia e Córrego de Ouro após o Estado de Goiás decretar luto pelas vítimas.

T LB

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