Segunda-feira, 08/06/26

Papa pede resposta multilateral ao drama migratório

Papa pede resposta multilateral ao drama migratório
Papa pede resposta multilateral ao drama migratório – Reprodução

O papa Leão XIV defendeu nesta segunda-feira (8) que o “trágico drama migratório” desperte a consciência das nações e apelou à cooperação multilateral para uma resposta “solidária e eficaz” centrada na dignidade humana.

Em discurso no Parlamento da Espanha, o pontífice afirmou que a situação de migrantes e refugiados exige uma resposta que olhe para as pessoas, enfrente as causas que as obrigam a partir e vá além da mera gestão de fluxos. Segundo ele, as responsabilidades dos governos incluem garantir “vias seguras e legais”, oferecer um acolhimento com respeito e “possibilidades reais de integração”, além de promover o direito de permanecer na própria terra.

Leão XIV disse ainda que “nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio dessa magnitude” e que é indispensável uma resposta coordenada, solidária e eficaz no quadro da cooperação regional e multilateral. Ele destacou também que, nos últimos anos, as rotas de imigração, sobretudo em direção à Europa, se tornaram “cada vez mais perigosas”, e defendeu o fortalecimento da prevenção, do resgate e da assistência às vítimas.

O papa iniciou no sábado (6) uma visita de uma semana à Espanha. Nos últimos dois dias da viagem, ele irá às Canárias, ilhas que convivem com a chegada de migrantes em embarcações precárias procedentes da África, conhecidas como “pateras” ou “cayucos”. Esta é a primeira viagem de um papa à Espanha em 15 anos e a primeira vez que um líder da Igreja Católica discursa no Parlamento nacional.

A visita ocorre em um país de discurso político polarizado. O texto menciona que o partido Vox, de extrema-direita, mantém há meses um confronto com os bispos por causa da imigração, enquanto os bispos espanhóis têm sido criticados por sua atuação no acolhimento de migrantes e por apoiarem publicamente a regularização extraordinária de imigrantes promovida pelo governo de Pedro Sánchez.

T LB

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