Uma análise abrangente publicada no British Medical Journal (BMJ) reafirma a segurança do uso de paracetamol durante a gravidez, descartando qualquer associação com o aumento do risco de autismo em crianças. A revisão, divulgada nesta segunda-feira, consolida diversas pesquisas anteriores, concluindo que não existem evidências sólidas que estabeleçam uma relação causal entre o medicamento e o desenvolvimento de transtornos do espectro autista.
O estudo também reitera que o paracetamol permanece como a opção analgésica mais segura para gestantes, especialmente quando comparado a alternativas como aspirina e ibuprofeno, que apresentam riscos conhecidos para o feto em desenvolvimento.
Os autores da análise enfatizam que os dados disponíveis não sustentam a hipótese de que o uso de paracetamol durante a gravidez esteja ligado ao desenvolvimento de autismo ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na infância. Essa publicação confronta alegações infundadas, que chegaram a associar o medicamento a riscos neurológicos em bebês.
A pesquisa do BMJ não consiste em um estudo inédito, mas sim em uma “revisão guarda-chuva” que compilou e avaliou estudos preexistentes sobre o tema. Essa abordagem permitiu uma análise abrangente e focada na qualidade das evidências disponíveis.
Os pesquisadores identificaram limitações metodológicas em muitos estudos que sugeriam uma possível ligação entre paracetamol e autismo. Entre as falhas mais comuns, destacam-se a falta de controle sobre outros fatores de risco relevantes, como predisposição genética; a desconsideração de condições médicas maternas que motivaram o uso do medicamento; e o uso de amostras pequenas com resultados inconsistentes. Tais deficiências impedem a identificação de um mecanismo direto entre o uso do paracetamol e o autismo, comprometendo a confiabilidade das conclusões desses estudos.
Após a disseminação de informações controversas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirmou a ausência de evidências científicas que comprovem uma ligação entre o paracetamol e o autismo. A nova pesquisa do BMJ reforça esse consenso, indicando que o medicamento pode ser utilizado por gestantes sob orientação médica. O paracetamol, amplamente utilizado para tratar febre e dores leves durante a gestação, continua sendo considerado uma opção segura para mãe e bebê quando utilizado de forma responsável e dentro das doses recomendadas.
Fonte: olhardigital.com.br








