Quinta-feira, 01/10/26

Passageiro que morreu baleado em BRT no RJ deixa cinco filhos

Passageiro que morreu baleado em BRT no RJ deixa cinco filhos
Passageiro que morreu baleado em BRT no RJ deixa cinco – Reprodução

“Em todos os anos que trabalhou, ele nunca chegou atrasado. Tinha orgulho de sair de casa para buscar o pão de cada dia”, disse Juan Barbosa sobre o sogro, Flávio de Abreu Lira, 53.

Morador de Bangu, na zona oeste, Lira era gerente de farmácia e estava a caminho do emprego quando foi baleado por uma bala perdida em um ônibus do BRT na manhã desta quarta-feira (30), em Jacarepaguá, na zona sudoeste do Rio de Janeiro.

O veículo cruzava o corredor Transolímpico, perto da estação Ventura, na altura da comunidade Dois Irmãos, onde a PM (Polícia Militar) realizava uma operação.

O atraso do gerente, que nunca havia chegado tarde ao trabalho, chamou a atenção dos colegas, que telefonaram para a família. Ao insistirem em ligações para o celular de Lira, uma pessoa que teria se identificado como bombeiro atendeu e relatou o que havia ocorrido.

“Ele deixa cinco filhos, o menor deles tem um aninho. Era um cara que vivia só para família. Todo dia ele saía de casa para trazer o sustento para a família”, disse o genro.

Segundo Juan, a esposa de Lira também trabalha em farmácia, mas o que ela recebe não dá para cobrir os curtos da família. “Como ela faz sozinha? Um salário mínimo de R$ 1.600”, diz.

O gerente viajava em pé no coletivo e foi atingido na barriga. O motorista levou o ônibus até a estação Asa Branca, onde bombeiros tentaram reanimá-lo por volta das 6h. Ele morreu ali mesmo.

“Infelizmente a vida dele foi ceifada por pessoas que estão aí no mundo do crime. Era um trabalhador, um pai de família, uma pessoa que ajudava todo mundo”, afirmou o genro.

A origem do disparo é desconhecida, assim como sua eventual ligação com a ação policial.

A Delegacia de Homicídios investiga o caso. Uma das hipóteses é a de que suspeitos tenham disparado várias vezes em sequência para dificultar o avanço da operação. Segundo a Polícia Civil, esse padrão de tiros não corresponde ao modo de atuação das forças de segurança.

A ação na Dois Irmãos foi coordenada pelo 18º BPM (Batalhão de Polícia Militar), de Jacarepaguá. De janeiro a agosto, a área deste batalhão registrou 177 mortes violentas, contra 112 no mesmo período de 2025, alta de 58%, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública). É o maior aumento do estado.

No restante do Rio, o indicador caiu 7,4%.

Segundo a polícia, a alta é consequência da disputa entre grupos criminosos —o CV (Comando Vermelho) se expande, entrando em confronto com milícias e com o TCP (Terceiro Comando Puro).

Na operação desta quarta, a PM afirmou que a meta era conter criminosos envolvidos em disputas territoriais na região. Agentes teriam sido atacados a tiros por homens armados dentro de um carro e revidaram “de forma técnica, moderada e proporcional”, disse a corporação.

T LB

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