A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a morte de uma gestante de 36 anos durante o parto em um hospital público. O caso ocorreu na manhã da última sexta-feira (10/7), durante internação no Hospital Regional de Samambaia (HRSAM). Familiares da vítima relataram negligência médica.
A gestante, identificada como Maria Graciane Andrade Alves, deu entrada no hospital um dia antes, na quinta-feira, após completar 41 semanas de gestação. De acordo com a família, a equipe médica foi informada pela paciente que não tinha condições de passar pelo parto normal, mas a tentativa do procedimento foi mantida por horas. A cirurgia cesárea só foi realizada após o bebê apresentar sinais de sofrimento fetal.
A mulher teve uma hemorragia grave e teve que passar por uma cirurgia de retirada do útero. Durante o procedimento, ela sofreu paradas cardiorrespiratórias, morrendo horas depois, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. O bebê sobreviveu, mas está internado em estado grave na UTI neonatal.
À polícia, os familiares relataram suspeita de falha no atendimento médico e solicitaram a apuração da real causa da morte. Segundo a PCDF, o corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para realização de exame pericial, que deverá esclarecer as circunstâncias da morte.
A corporação informou que, até o momento, não há conclusão sobre a causa da morte, e que eventual responsabilidade médica, caso seja constatada negligência, só poderá ser apurada após a perícia e a investigação.
O caso foi registrado na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) e será encaminhado à Delegacia Especializada competente para apuração. O Hospital Regional de Samambaia foi comunicado do registro da ocorrência.
A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal informa que o caso continua em apuração. Caso sejam constatadas falhas na assistência ou qualquer indício de negligência, todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis serão adotadas, com a devida responsabilização dos envolvidos.
Histórico de denúncias
Não é a primeira vez que o Hospital de Samambaia registra casos parecidos. Nos últimos quatro anos, ao menos quatro famílias denunciaram negligência médica em atendimentos à gestantes e bebês. Em 2024, um bebê morreu após a mãe aguardar um atendimento e ficar 30 horas em trabalho de parto. No mesmo ano, uma gestante de 30 anos morreu após procurar atendimento médico em diferentes hospitais do DF, incluindo o de Samambaia.
Em 2023, uma mulher de 19 anos perdeu o bebê e teve que aguardar quatro dias internada, com o filho morto na barriga, até conseguir realizar um procedimento para induzir o parto. No ano anterior, uma gestante de 37 anos e sua filha morreram durante o parto no hospital. De acordo com relatos de pacientes no local, a mulher chegou a vomitar e urinar sangue na unidade.








