Sábado, 01/08/26

Petróleo encerra julho com maior alta mensal desde março

Petróleo encerra julho com maior alta mensal desde março
Petróleo encerra julho com maior alta mensal desde março – Reprodução

O petróleo encerrou o mês de julho com a maior alta mensal desde março, mês em que iniciou a guerra no Irã.

O contrato de outubro do barril Brent, referência global, encerrou esta sexta-feira (31), com alta diária de 3,22%, cotado a US$ 89,68, acumulando disparada mensal de 22,93%. Em março, a commodity havia avançado 42,68%.

O resultado reverte a queda de quase 20% do mês de junho e reflete as novas preocupações de investidores com os fluxos globais de petróleo após novas escaladas do conflito no Oriente Médio. No mês anterior, o patamar do petróleo chegou a igualar níveis pré-guerra.

O contrato de setembro do WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, encerrou esta sexta com alta de 3,84%, a US$ 86,80, acumulando avanço mensal de 20,34%. A alta também é a maior desde março, quando a commodity teve alta mensal de 39%.

O mês de julho foi marcado pelo fim da frágil pausa nas hostilidades entre Washington e Teerã. Também houve a entrada dos houthis, baseados no Iêmen, no conflito, adicionando uma nova camada de risco aos embarques no mar Vermelho.

Forças da Arábia Saudita também se uniram aos EUA para atacar grupos apoiados pelo Irã no Iraque, enquanto os estoques de petróleo dos EUA continuaram a diminuir.

“O mundo está ficando mais apertado e usando o excedente de petróleo bruto e derivados dos EUA para equilibrar, a ponto de os EUA estarem ficando fisicamente com menos barris em um ritmo muito mais acelerado do que algumas semanas atrás”, disse Scott Shelton, especialista em energia da TP ICAP Group.

A guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro, reduziu drasticamente o tráfego pelo estreito de Hormuz, um ponto de estrangulamento vital que antes transportava cerca de um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural, interrompendo a produção de milhões de barris por dia no Oriente Médio.

O Irã bloqueou amplamente o tráfego marítimo pelo estreito desde o início do conflito, enquanto seus aliados houthis ameaçaram embarcações que transitavam pelo estreito de Bab el-Mandeb, colocando em risco uma rota alternativa de exportação utilizada pela Arábia Saudita e outros produtores regionais.

Dois superpetroleiros que transportavam petróleo carregado no golfo saíram do estreito nesta sexta, embora o tráfego pela via navegável tenha permanecido escasso, de acordo com dados de rastreamento de navios da Kpler.

Vinte e nove navios de carga passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb na véspera. “O mercado deixou de negociar com base na guerra e passou a negociar com base nos dados de transporte marítimo”, disse Ole Hvalbye, analista de mercado da SEB Research.

T LB

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