Sábado, 04/07/26

PF antecipou operação contra suspeitos de ligação com tráfico após sanção dos EUA

PF antecipou operação contra suspeitos de ligação com tráfico após sanção dos EUA
PF antecipou operação contra suspeitos de ligação com tráfico após – Reprodução

JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS


A Polícia Federal antecipou a operação, que ocorreu nesta sexta-feira (3) e mirou suspeitos de ligação com tráfico internacional, após as sanções do governo dos Estados Unidos anunciadas na última quarta-feira (1º).

Segundo a cúpula da PF, algumas confirmações a respeito da localização de investigados ainda estavam em curso quando os EUA anunciaram as sanções e, por isso, a ação teve que ser antecipada.

A antecipação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e pelo chefe da Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção), Dennis Cali, em café da manhã com jornalistas, em encontro realizado após da operação.

Andrei criticou, no evento, a classificação pelo governo americano das facções criminosas como grupo terrorista, e disse que o entendimento é um “erro grosseiro tecnicamente”.

Também disse que não deve existir uma “glamourização das facções criminosas”, com atribuição de todas as ações a determinada facção. Na visão dele, essa é uma supervalorização das ações desses grupos.

Nesta sexta, a PF prendeu a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que trabalhava para o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, ambos alvos de sanções do governo americano.

A prisão se deu no âmbito de uma operação deflagrada contra suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Shimada também é alvo da operação, mas até aqui é considerado foragido.

O advogado que defende o empresário disse que deverá se pronunciar mais tarde. A reportagem tenta localizar a defesa de Stella.

Batizada de Operação Exchange, as diligências incluem o cumprimento de 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Todos foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo e miram endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e em Santana de Parnaíba.

A decisão que decretou as prisões e autorizou as buscas decretaram também o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o valor de R$ 10,4 bilhões.

Segundo a PF, os suspeitos mantinham um sistema estruturado para a movimentação de recursos e operavam por meio de transferências ilícitas de criptoativos e outros meios, como a movimentação de recursos em espécie.

Ainda de acordo com a corporação, a investigação aponta para operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.

A representação policial que pedia a prisão dos suspeitos foi enviada à Justiça em março, e a decisão foi dada em junho. A PF esperava executar a operação assim que confirmasse a localização de todos os suspeitos.


T LB

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