Sexta-feira, 31/07/26

Polícia de SP ouve mãe denunciada por filha por supostos abusos na infância

Polícia de SP ouve mãe denunciada por filha por supostos abusos na infância
Polícia de SP ouve mãe denunciada por filha por supostos – Reprodução

A mãe da biomédica Heloísa Rodrigues de Lima, 28, foi intimada pela Polícia Civil de São Paulo nesta semana e prestou depoimento no inquérito que apura as suspeitas de estupro de vulnerável e perseguição denunciadas pela filha.

O caso de Heloísa ganhou repercussão no último domingo (26) após uma reportagem do Fantástico, da TV Globo. Ela trava uma batalha judicial para remover o nome da mãe do registro civil diante da violência recorrente que diz ter sofrido durante a infância.

À reportagem a mãe, Patrícia Alves Duque, negou os crimes e disse que reúne provas para contestar as acusações. “Já fui intimada. A polícia já me ouviu. Contei tudo para a delegada e neguei tudo porque é tudo mentira”, afirmou.

A advogada Andréa Galliza, que representa Heloísa, afirma que o boletim de ocorrência foi registrado em março de 2025. O inquérito foi dado como concluído em dezembro, quando foi remetido ao Judiciário.

Posteriormente, o procedimento retornou ao 46º Distrito Policial (Perus) para diligências complementares e voltou a ser encaminhado à Justiça em junho deste ano, segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública).

O retorno do procedimento ao Judiciário em junho, conforme Galliza, ocorreu para que a Polícia Civil solicitasse a prorrogação do prazo por mais 90 dias, a fim de concluir as diligências. A pasta afirmou que outros detalhes são preservados em razão do segredo de Justiça.

“Embora o procedimento nunca tenha ficado completamente parado, houve sucessivas prorrogações de prazo durante a apuração”, afirmou a advogada.

O advogado criminalista Marcos Mitchell, que acompanha o inquérito como parte da defesa de Heloísa, disse que o procedimento permanece na fase investigativa e ainda depende de manifestação do Ministério Público.

Na avaliação dele, uma eventual condenação poderá reforçar o conjunto probatório da ação cível em que a biomédica pede a retirada do vínculo de filiação.

Em nota, o Ministério Público de São Paulo informou que o procedimento tramita sob segredo de Justiça e que as informações constantes nos autos são de acesso restrito às partes e aos advogados.

Heloisa afirmou à reportagem que recebeu a notícia do avanço da investigação por meio da advogada. “Receber essa informação trouxe uma esperança de justiça”, disse.

Nas redes sociais, ela usa apenas o nome Heloísa de Lima. Nos documentos, porém, também leva o sobrenome Rodrigues, do pai que a criou, além de Lima, do pai biológico.

A biomédica afirma ter sido vítima de violência física, psicológica e exploração sexual durante a infância. Em dezembro do ano passado, a Justiça reconheceu que ela foi submetida a “abusos, negligência e crueldade”, mas negou a exclusão da filiação por entender que a medida não tem previsão legal.

A sentença autorizou apenas a retirada do sobrenome materno. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Heloísa afirma que tentou denunciar as violências ainda na infância e procurou o Conselho Tutelar aos 11 anos, mas continuou exposta aos abusos. “Não basta ouvir uma criança. É preciso investigar, agir e garantir que ela esteja em segurança”, afirmou.

Patrícia Alves contesta essa versão e diz que a filha viveu com ela apenas até os cinco anos e, posteriormente, passou a morar com o pai biológico e, depois, com os avós maternos.

“Se ela foi abusada ou não, eu não sei. Ela nunca morou comigo. A partir dos sete anos foi morar com o pai dela e depois com a minha mãe. Eu nunca bati nela. Isso é tudo mentira”, disse.

A mãe também contestou a decisão que reconheceu que Heloísa foi submetida a abusos, negligência e crueldade.

“Isso nunca aconteceu. Eu nunca nem bati nela”, afirmou. Patrícia disse ainda que reúne documentos para sustentar sua versão. “Estou correndo atrás das minhas provas também.”

A ação em que Heloísa pede a retirada do nome da mãe dos documentos continua em tramitação no TJ-SP. A defesa sustenta que pais e mães têm os mesmos deveres legais de cuidado e, por isso, devem estar sujeitos às mesmas consequências jurídicas quando esses deveres são violados.

“Esse vínculo registral representa a continuidade de uma violência. Sempre que preciso preencher um cadastro, ir ao hospital ou informar o nome da mãe, sou obrigada a escrever ou ver o nome dela. Para mim, ela não é minha mãe. Tirar esse nome não apaga a minha história, mas devolve um pouco da minha dignidade e da liberdade de seguir em frente.”

T LB

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