O CEO da OpenAI, Sam Altman, tem negociado acordos que somam US$ 1,4 trilhão com gigantes como Oracle, Nvidia, Microsoft, AMD, Broadcom e Amazon, para investir em data centers. A OpenAI projeta uma receita anual de US$ 20 bilhões, gerando dúvidas sobre sua capacidade de honrar esses compromissos.
Questionada sobre quem arcaria com as responsabilidades da empresa, a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, sugeriu que o governo poderia ser uma “garantia”, declaração posteriormente retratada. O próprio Altman minimizou preocupações, afirmando que, em caso de falha, o mercado se encarregaria, e outras empresas continuariam atendendo os clientes.
Analistas questionam a viabilidade das projeções de crescimento da OpenAI. Para justificar o investimento em capacidade computacional, a receita da empresa precisaria atingir US$ 577 bilhões até 2029, um aumento de 2900% em relação às estimativas para 2025.
Entretanto, especialistas apontam que a OpenAI pode utilizar apenas parte da capacidade contratada, possibilitando a renegociação de contratos com empresas como Oracle, Amazon e Microsoft. Para analistas, as empresas podem preferir renegociar a perder o negócio por completo.
Contratos de data centers são complexos e de longo prazo, com cláusulas condicionais. Variáveis como preço das ações, custo de construção e valor da GPU influenciam os valores finais. Por exemplo, a OpenAI se comprometeu a comprar até 6 GW em chips da AMD em troca de 10% das ações da empresa, sem pagamento em dinheiro, dependendo do desempenho tecnológico e dos negócios da OpenAI, além do preço das ações da AMD.
Restrições no fornecimento de energia e chips também podem impedir a entrega no prazo, permitindo que a OpenAI evite parte dos pagamentos. O contrato de US$ 22,4 bilhões com a CoreWeave pode ser rescindido por justa causa.
Para Altman, o maior risco é não ter poder computacional suficiente para treinar modelos de IA, algo crucial para o crescimento da receita. A empresa busca maneiras de vender poder computacional diretamente para outras empresas.
Altman defende a escalabilidade, afirmando que a inteligência de um modelo de IA é proporcional ao logaritmo dos recursos usados. Ele acredita em ganhos investindo nesses recursos, citando exemplos desde redes neurais até reatores de fusão.
Especialistas observam que Altman, que afirma não ter participação acionária na OpenAI, não enfrentaria consequências financeiras diretas caso os acordos não se concretizassem. Para Ofer Eldar, professor de governança corporativa na Faculdade de Direito da UC Berkeley, o CEO está “assumindo todo esse compromisso sabendo que não enfrentará nenhuma consequência, pois não tem participação financeira.”
Para Jo-Ellen Pozner, professora de gestão e empreendedorismo, líderes inovadores recebem tratamento diferenciado, mas quando as coisas dão errado, não está claro quem arcará com as consequências. Luria acrescenta que Altman “pode se comprometer com o quanto quiser. Pode se comprometer com um trilhão de dólares, dez trilhões, cem trilhões de dólares. Não importa. Ou ele usa o dinheiro, ou renegocia, ou desiste”.
Enquanto isso, empresas como Oracle, Nvidia, AMD e Broadcom viram um aumento de US$ 636 bilhões em valor de mercado após o anúncio de acordos com a OpenAI. Quando a OpenAI anunciou um acordo de infraestrutura de IA de US$ 38 bilhões com a Amazon, as ações da empresa subiram 4%, adicionando US$ 10 bilhões ao patrimônio líquido de Jeff Bezos.
Em setembro, a Nvidia anunciou a compra da capacidade computacional não vendida da CoreWeave até 2032, avaliada em US$ 6,3 bilhões, valor que pode aumentar se a OpenAI não utilizar toda a capacidade contratada.
Em caso de falência da OpenAI, detentores de dívidas receberiam primeiro, seguidos por investidores em ações e, por fim, acionistas ordinários. Atualmente, a OpenAI possui uma linha de crédito de US$ 4 bilhões com bancos como JPMorgan, Citi, Goldman Sachs e Morgan Stanley.
A Microsoft é a principal acionista da OpenAI, com 27% da empresa, tendo investido US$ 11,6 bilhões de um total de US$ 13 bilhões. A OpenAI se comprometeu a adquirir US$ 250 bilhões em serviços de computação do Microsoft Azure.
A organização sem fins lucrativos da OpenAI detém uma ação ordinária especial que lhe confere poder de voto e veto nas eleições do conselho de administração, mas não dá direito a retornos financeiros em caso de falência.
As negociações de Altman impressionam, com os pagamentos mais significativos previstos para o futuro. O futuro da OpenAI e sua capacidade de honrar seus compromissos permanecem incertos.
Fonte: forbes.com.br








