A legislação dos Estados Unidos limita a 60 dias o prazo para o término de uma guerra iniciada sem autorização formal do Congresso, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias. O conflito contra o Irã, iniciado pelo presidente Donald Trump, está programado para expirar em 1º de maio, conforme a Resolução dos Poderes de Guerra de 1973.
Democratas têm tentado barrar a ação no Parlamento, considerando-a ilegal por falta de aprovação congressional e ausência de risco iminente comprovado contra a segurança dos EUA. Quatro resoluções anteriores falharam, e uma nova proposta, apresentada após recesso parlamentar, foi derrotada no Senado por 52 votos a 47, com um democrata a favor da guerra e um republicano contra. A senadora Tammy Duckworth criticou os opositores, afirmando que priorizaram o ego de Trump acima dos interesses americanos.
Alguns republicanos expressam insatisfação com a continuação do conflito, que eleva os preços dos combustíveis e é rejeitado por cerca de 60% dos norte-americanos, segundo pesquisas de opinião. O senador Mike Rounds sugeriu que a Casa Branca apresente argumentos e plano detalhado para qualquer prorrogação.
Internamente, Trump enfrenta pressões, incluindo tentativas de invocação da 25ª emenda para declará-lo inapto, que requer apoio do vice-presidente JD Vance, e protestos massivos contra a guerra e políticas imigratórias, estimados em milhões de participantes no final do mês passado.
O professor Rafael R. Ioris, da Universidade de Denver, destacou que o Executivo historicamente justifica ações unilaterais, mas o desfecho dependerá dos eventos no Oriente Médio. Ele nota preocupação pública com custos econômicos e falta de clareza sobre os motivos do conflito, embora a base trumpista permaneça apoiadora.
Nas negociações, lideradas pelo Paquistão, o cessar-fogo de duas semanas termina na próxima terça-feira (21), mas permanece travado. O Irã exige cessar-fogo também no Líbano, enquanto os EUA ameaçam navios iranianos. Analistas veem o período como pausa para reposicionamento militar. O Conselho de Segurança russo alertou que negociações podem mascarar preparativos para operação terrestre. A agência Tasnim News indicou que uma segunda rodada seria improdutiva sem preliminares adequadas.








