Terça-feira, 07/07/26

Prefeitura de Goiânia investiga suspeita de poluição no Rio Meia Ponte

Prefeitura de Goiânia investiga suspeita de poluição no Rio Meia Ponte
Prefeitura de Goiânia investiga suspeita de poluição no Rio Meia – Reprodução

MEIO AMBIENTE

Equipes utilizaram drones para produzir imagens aéreas, realizaram registros fotográficos, levantamentos técnicos e ouviram moradores da região

Equipes da Prefeitura de Goiânia e do Governo de Goiás entraram em campo para apurar suspeitas de lançamento irregular de efluentes no Rio Meia Ponte. Drones, monitoramento técnico e, na próxima etapa, análises da água e fiscalização por barco vão tentar identificar possíveis focos de poluição. Credito: Prefeitura de Goiânia

1
1

O Meia Ponte, principal manancial responsável pelo abastecimento de aproximadamente 2 milhões de pessoas em Goiás, voltou ao centro das atenções dos órgãos ambientais. A prefeitura de Goiânia e o Governo de Goiás iniciaram uma força-tarefa para investigar suspeitas de lançamento irregular de efluentes no rio, em uma operação que marca uma nova etapa do monitoramento ambiental e busca identificar possíveis fontes de poluição. 

A ação é conduzida pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Os trabalhos começaram com inspeções em quatro pontos considerados estratégicos na região do Setor Recanto do Bosque, definidos a partir de um mapeamento técnico elaborado pela Amma para identificar áreas com potencial risco de despejo clandestino de resíduos líquidos. 

Durante a fiscalização, as equipes utilizaram drones para produzir imagens aéreas, realizaram registros fotográficos, levantamentos técnicos e ouviram moradores da região. O material servirá de base para as próximas fases da investigação, que devem apontar se há indícios de contaminação e de onde ela pode estar vindo. 

Nova fase terá análises da água e fiscalização por barco

Após a inspeção inicial, a operação entra agora em uma nova etapa. Técnicos da Amma e da Semad vão coletar amostras da água em trechos específicos do Rio Meia Ponte para análises laboratoriais capazes de identificar a presença de contaminantes e confirmar a existência de possíveis lançamentos irregulares de efluentes. 

Outra novidade será o uso de embarcações para vistoriar áreas de difícil acesso pelas margens. A estratégia permitirá ampliar a fiscalização em galerias pluviais, tubulações e outros pontos onde possam existir ligações clandestinas responsáveis pela contaminação do rio. 

Segundo a gerente de Monitoramento Ambiental da Amma, Débora Borges, a integração entre município e Estado fortalece a fiscalização e torna mais eficiente a identificação de irregularidades. “Essa parceria com a Semad amplia a eficiência na identificação de irregularidades ambientais e na definição de ações voltadas à proteção e à conservação do Rio Meia Ponte”, afirmou. 

Com cerca de 415 quilômetros de extensão, o Rio Meia Ponte é considerado um dos recursos hídricos mais importantes do estado. Sua bacia abastece aproximadamente metade da população goiana, além de fornecer água para atividades agrícolas, industriais e para a dessedentação animal. Por isso, a identificação de qualquer foco de poluição é considerada estratégica para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Goiânia. 

Nos últimos anos, o rio tem enfrentado pressões provocadas pelo crescimento urbano, ocupação irregular das margens, descarte inadequado de resíduos e lançamento de esgoto, fatores que comprometem a qualidade da água e aumentam os custos do tratamento para abastecimento público. 

Monitoramento permanente

A investigação ocorre poucos meses depois de a Prefeitura de Goiânia renovar, em parceria com o Ministério Público de Goiás (MPGO), o compromisso de participar do programa Ser Natureza, iniciativa voltada à recuperação do Rio Meia Ponte e de outros mananciais utilizados no abastecimento público. O programa reúne órgãos ambientais, instituições públicas e entidades parceiras para desenvolver ações de recuperação ambiental e proteção das nascentes e das margens do rio. 

Além disso, a 4ª Expedição Rio Meia Ponte, realizada em março deste ano, identificou novos pontos de degradação ambiental e reforçou a necessidade de ampliar o monitoramento permanente da bacia hidrográfica. Em edições anteriores, o trabalho já havia localizado áreas com descarte ilegal de efluentes, erosões, assoreamento e retirado centenas de toneladas de resíduos do rio. 

Com a conclusão das análises laboratoriais e das inspeções por barco, a Amma e a Semad deverão definir as medidas de fiscalização e recuperação ambiental que poderão ser adotadas caso sejam confirmados lançamentos irregulares de efluentes no Rio Meia Ponte.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *