MEIO AMBIENTE
Equipes utilizaram drones para produzir imagens aéreas, realizaram registros fotográficos, levantamentos técnicos e ouviram moradores da região
Equipes da Prefeitura de Goiânia e do Governo de Goiás entraram em campo para apurar suspeitas de lançamento irregular de efluentes no Rio Meia Ponte. Drones, monitoramento técnico e, na próxima etapa, análises da água e fiscalização por barco vão tentar identificar possíveis focos de poluição. Credito: Prefeitura de Goiânia
O Meia Ponte, principal manancial responsável pelo abastecimento de aproximadamente 2 milhões de pessoas em Goiás, voltou ao centro das atenções dos órgãos ambientais. A prefeitura de Goiânia e o Governo de Goiás iniciaram uma força-tarefa para investigar suspeitas de lançamento irregular de efluentes no rio, em uma operação que marca uma nova etapa do monitoramento ambiental e busca identificar possíveis fontes de poluição.
A ação é conduzida pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Os trabalhos começaram com inspeções em quatro pontos considerados estratégicos na região do Setor Recanto do Bosque, definidos a partir de um mapeamento técnico elaborado pela Amma para identificar áreas com potencial risco de despejo clandestino de resíduos líquidos.
Durante a fiscalização, as equipes utilizaram drones para produzir imagens aéreas, realizaram registros fotográficos, levantamentos técnicos e ouviram moradores da região. O material servirá de base para as próximas fases da investigação, que devem apontar se há indícios de contaminação e de onde ela pode estar vindo.
Nova fase terá análises da água e fiscalização por barco
Após a inspeção inicial, a operação entra agora em uma nova etapa. Técnicos da Amma e da Semad vão coletar amostras da água em trechos específicos do Rio Meia Ponte para análises laboratoriais capazes de identificar a presença de contaminantes e confirmar a existência de possíveis lançamentos irregulares de efluentes.
Outra novidade será o uso de embarcações para vistoriar áreas de difícil acesso pelas margens. A estratégia permitirá ampliar a fiscalização em galerias pluviais, tubulações e outros pontos onde possam existir ligações clandestinas responsáveis pela contaminação do rio.
Segundo a gerente de Monitoramento Ambiental da Amma, Débora Borges, a integração entre município e Estado fortalece a fiscalização e torna mais eficiente a identificação de irregularidades. “Essa parceria com a Semad amplia a eficiência na identificação de irregularidades ambientais e na definição de ações voltadas à proteção e à conservação do Rio Meia Ponte”, afirmou.
Com cerca de 415 quilômetros de extensão, o Rio Meia Ponte é considerado um dos recursos hídricos mais importantes do estado. Sua bacia abastece aproximadamente metade da população goiana, além de fornecer água para atividades agrícolas, industriais e para a dessedentação animal. Por isso, a identificação de qualquer foco de poluição é considerada estratégica para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Goiânia.
Nos últimos anos, o rio tem enfrentado pressões provocadas pelo crescimento urbano, ocupação irregular das margens, descarte inadequado de resíduos e lançamento de esgoto, fatores que comprometem a qualidade da água e aumentam os custos do tratamento para abastecimento público.
Monitoramento permanente
A investigação ocorre poucos meses depois de a Prefeitura de Goiânia renovar, em parceria com o Ministério Público de Goiás (MPGO), o compromisso de participar do programa Ser Natureza, iniciativa voltada à recuperação do Rio Meia Ponte e de outros mananciais utilizados no abastecimento público. O programa reúne órgãos ambientais, instituições públicas e entidades parceiras para desenvolver ações de recuperação ambiental e proteção das nascentes e das margens do rio.
Além disso, a 4ª Expedição Rio Meia Ponte, realizada em março deste ano, identificou novos pontos de degradação ambiental e reforçou a necessidade de ampliar o monitoramento permanente da bacia hidrográfica. Em edições anteriores, o trabalho já havia localizado áreas com descarte ilegal de efluentes, erosões, assoreamento e retirado centenas de toneladas de resíduos do rio.
Com a conclusão das análises laboratoriais e das inspeções por barco, a Amma e a Semad deverão definir as medidas de fiscalização e recuperação ambiental que poderão ser adotadas caso sejam confirmados lançamentos irregulares de efluentes no Rio Meia Ponte.








