ITALO NOGUEIRA
FOLHAPRESS
A Procuradoria-Geral Eleitoral afirmou nesta terça-feira (6) em parecer a ser enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que os votos conferidos a Anthony Garotinho (Republicanos) na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro devem ser considerados nulos.
O posicionamento, se referendado pelo tribunal, levará à proclamação do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), como governador eleito.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, defendeu que a desistência do recurso de Garotinho para tentar validar sua candidatura deveria ser aceita pela corte.
Ele afirma que o TSE, geralmente, tende a não aceitar esse tipo de pedido quando a decisão impacta no resultado das eleições. Contudo, como o posicionamento da Procuradoria é pela manutenção da decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de indeferimento do registro, o resultado prático seria o mesmo.
“Na espécie, a conclusão do mérito do presente recurso ordinário é no sentido do seu desprovimento, com a manutenção do acórdão recorrido e, portanto, a anulação dos votos em definitivo. […] Em síntese, pois, o desprovimento do recurso ordinário com o indeferimento definitivo do registro de candidatura e a anulação dos votos obtidos pelo impugnado trará resultado prático equivalente ao acolhimento do pedido de desistência, de modo que não há faticamente óbice ao acolhimento da pretensão”, escreveu Espinosa.
Ruas obteve 49,27% dos votos nominais, contra 42,76% do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). Garotinho obteve 3,17%, mas seus votos foram considerados anulados sub judice, categoria na qual são incluídos os candidatos que tiveram o registro de candidatura indeferido, mas aguardam a análise de recurso.
Caso os votos sejam desconsiderados, Ruas sobe para 50,89% dos votos válidos, o que garantiria sua eleição no primeiro turno.
Garotinho teve o registro indeferido no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro em razão de uma condenação numa ação civil pública em que foi acusado de desviar R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde para ONGs que financiaram a sua pré-candidatura à Presidência da República em 2006, quando estava no antigo PMDB (atual MDB). Os fatos ocorreram durante a gestão de sua mulher, Rosinha Garotinho, governadora de 2003 a 2006.
O ex-governador foi condenado à suspensão dos direitos políticos por oito anos. Sua defesa alega que a pena está válida desde 2018, tendo expirado em agosto deste ano. O TRE-RJ entendeu, porém, que o processo só transitou em julgado (encerramento definitivo) no ano passado, motivo pelo qual a inelegibilidade vale até 2033.
Em agenda no interior nesta terça-feira (6), Paes defendeu a realização do segundo turno.
“A Justiça Eleitoral não decidiu até o dia da eleição. O jogo eleitoral, aquilo que disse a população fluminense no último domingo, foi: ‘Tem que ter segundo turno’. O Garotinho estava na urna, as pessoas puderam votar no Garotinho”, disse o ex-prefeito.
Douglas Ruas não cumpriu agenda de campanha. Na segunda-feira, disse confiar na Justiça e na proclamação de sua vitória no primeiro turno.








