Sexta-feira, 14/08/26

Procuradoria eleitoral cobra explicações do governo Tarcísio sobre caso de motorista de Haddad

Procuradoria eleitoral cobra explicações do governo Tarcísio sobre caso de motorista de Haddad
Procuradoria eleitoral cobra explicações do governo Tarcísio sobre caso de – Reprodução

ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA
FOLHAPRESS


A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo pediu explicações ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) após o candidato do PT ao governo paulista, o ex-ministro Fernando Haddad, relatar conduta da Polícia Militar que classificou como “ostensiva” e fora do padrão em relação ao motorista dele.

O episódio teria ocorrido na última terça-feira (11) após o condutor deixar o petista em casa, no Planalto Paulista, bairro da capital. Segundo relatos feitos à equipe do candidato, uma viatura da PM teria emparelhado com o carro, se aproximado do para-choque e seguido o veículo, sem fazer uma abordagem formal.

O despacho cita “possível prática de abuso dos poderes político e de autoridade, mediante a utilização da máquina pública e do aparato policial estatal para coagir ou intimidar candidato durante o processo eleitoral, bem como de conduta vedada, em afronta aos princípios da impessoalidade e da lisura do pleito”.

A comunicação, assinada pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt, cobra, no prazo de cinco dias, explicações do secretário de Segurança Pública do estado, Osvaldo Nico Gonçalves, em especial sobre eventual ordem para a realização de patrulhamento ostensivo na região da casa do ex-ministro.

O representante do Ministério Público Federal também cobrou explicações da comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Anselmo Cavalli, sobre o plano estratégico e operacional do batalhão regional, incluindo setorização das áreas, patrulhamento motorizado e operações especiais em agosto.

O procurador pediu ainda os setores de patrulhamento, a área de atuação da guarnição, ordens de serviço expedidas de 1º a 11 de agosto, bem como a identificação da viatura empregada e dos PMs que integravam a guarnição. Tudo em cinco dias.

Como mostrou a Folha, membros da cúpula da Segurança Pública dizem que imagens de uma viatura cruzando a casa do petista não mostram velocidade incompatível com o padrão, nem o uso de holofotes na direção do veículo, como Haddad narrou ter visto.

Uma apuração preliminar também identificou divergências entre a versão do motorista e as imagens obtidas em locais apontados como cruciais em seu relato, entre eles um hotel. O condutor teria afirmado que parou no estacionamento de um hotel, mas vídeos teriam mostrado o veículo passando direto.

Nesta quinta-feira (13), em entrevista coletiva, Haddad afirmou que pegaram a câmera errada do hotel.

A comunicação da Procuradoria Eleitoral também solicita as imagens do estabelecimento naquele dia e horário.

Na noite desta quinta, a Secretaria de Segurança Pública informou que a PM instaurou, no dia anterior, uma investigação preliminar para apurar o relato. Caso sejam identificados indícios de irregularidades, o procedimento pode ser convertido em inquérito.

Segundo a nota, uma análise de cerca de 40 câmeras ao longo do percurso não indicou “nenhum indício de abordagem ou procedimento irregular por parte dos policiais nem interação das equipes com o candidato ou membros da sua equipe”.


T LB

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