Sexta-feira, 24/04/26

PSOL pede anulação de venda de mineradora de terras raras em Goiás para EUA

PSOL pede anulação de venda de mineradora de terras raras em Goiás para EUA
PSOL pede anulação de venda de mineradora de terras raras – Reprodução

Parlamentares do PSOL encaminharam à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação contra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), solicitando a anulação da venda da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu (GO), para a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR).

O documento, assinado pelos deputados federais Sâmia Bomfim (SP), Glauber Braga (RJ) e Fernanda Melchionna (RS), requer a apuração da operação e medidas para o cancelamento imediato de todos os atos relacionados, incluindo acordos, pagamentos e contratos.

A representação pede a instauração de inquérito civil e criminal para investigar fatos que configurem grave ameaça à soberania econômica do Brasil. Os deputados solicitam análise da constitucionalidade dos procedimentos do governo de Goiás que possam ter favorecido a exportação de terras raras, além da conduta de Caiado por possível extrapolação de competências constitucionais.

Além disso, o documento requer que a PGR avalie enviar ações ao Supremo Tribunal Federal (STF) para declarar a nulidade dos atos, em razão de possível invasão de competência da União em temas como mineração e relações internacionais.

A compra da Serra Verde, que atua na mineração de terras raras, foi anunciada no dia 20. A transação foi avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), a única de argilas iônicas ativa no Brasil, em produção desde 2024. Ela é também a única produtora das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas fora da Ásia: Disprosio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y).

Mais de 90% da extração de terras raras mundiais ocorre na China. Esses materiais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de áreas como semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

De acordo com a mineradora brasileira, o negócio permitirá a criação da maior empresa global do ramo. A produção em Goiás está na fase 1, com pretensão de dobrar a capacidade até 2030.

A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa do governo de Goiás para comentar a representação. O espaço está aberto para posicionamento.

T LB

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