Terça-feira, 21/07/26

Queimadas afetaram energia de 60 mil clientes em Goiás

Queimadas afetaram energia de 60 mil clientes em Goiás
Queimadas afetaram energia de 60 mil clientes em Goiás – Reprodução

As queimadas que atingiram a rede elétrica afetaram o fornecimento de energia de aproximadamente 60 mil clientes em Goiás ao longo de 2025. Foram registradas 384 ocorrências no Estado, uma média superior a uma por dia. Embora o número represente queda de 44,8% na comparação com 2024, a chegada do período mais seco do ano mantém o setor em alerta.

Os dados foram informados pela Equatorial Goiás ao Mais Goiás. Em 2024, primeiro ano com números consolidados pela empresa, foram contabilizadas 696 ocorrências. De um ano para o outro, portanto, houve redução de 312 casos.

Goiânia ocupou o primeiro lugar no levantamento de 2025, com 55 ocorrências. A capital concentrou 14,3% de todos os registros do estado. Na sequência apareceram Luziânia, com 26, e Catalão, Senador Canedo e Cristianópolis, com 19 casos cada.

Somados, os cinco municípios responderam por 138 ocorrências, o equivalente a quase 36% do total registrado em Goiás.

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Os dados mostram ainda que o problema não está concentrado somente no campo. Em 2025, 59% das ocorrências aconteceram em áreas urbanas, enquanto 41% foram registradas na zona rural. A distribuidora não possui um levantamento que permita identificar as principais causas das queimadas ou calcular quantas começaram por ações humanas.

Tempo sem energia caiu, mas ainda passou de cinco horas

O tempo médio necessário para restabelecer o fornecimento de energia após ocorrências relacionadas às queimadas diminuiu entre 2024 e 2025.

Em 2024, os consumidores afetados esperaram, em média, 6 horas e 51 minutos pela normalização do serviço. Em 2025, o período caiu para 5 horas e 37 minutos. A redução foi de 1 hora e 14 minutos, ou 17,8%, segundo a Equatorial.

Apesar da melhora, cada ocorrência ainda exige uma operação que pode envolver o combate ao incêndio, a avaliação dos danos, a troca de equipamentos e a liberação da área para o trabalho dos eletricistas.

Jataí, Itumbiara, Silvânia, Ouvidor e Novo Gama foram os municípios com os maiores tempos de interrupção. A empresa não informou quanto durou, em média, o restabelecimento do serviço em cada uma dessas cidades.

Goiânia também lidera registros em 2026

Entre janeiro e julho de 2026, Goiânia, Ipameri e Caldas Novas aparecem como os municípios com mais ocorrências de queimadas que atingiram a rede elétrica. A Equatorial não divulgou a quantidade de registros em cada cidade nem o total acumulado no estado durante o período.

O gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, afirma que a estiagem aumenta o risco de incêndios próximos à rede e pode causar novos desligamentos.

“Estamos entrando em um período muito crítico em nosso estado, que é o período de estiagem. Com isso, aumentam as possibilidades de queimadas”, explica.

As chamas podem alcançar diretamente postes, cabos e outras estruturas utilizadas na distribuição de energia. Mesmo quando o fogo não atinge os equipamentos, a fumaça e a fuligem podem provocar falhas.

“As próprias chamas atingem o poste, os cabos e as estruturas. Isso pode causar falha no fornecimento. A fumaça preta e densa também pode chegar à rede, acumular-se nos isoladores e provocar falta de energia”, afirma Vinicyus.

Os isoladores são equipamentos que impedem que a corrente elétrica passe dos cabos para os postes. Quando ficam cobertos por fuligem ou sofrem danos provocados pelo calor, aumenta o risco de falhas e desligamentos.

Drones e câmeras térmicas ajudam no monitoramento

A Equatorial informa que utiliza drones e câmeras térmicas para inspecionar a rede e localizar áreas consideradas vulneráveis. As câmeras identificam diferenças de temperatura e podem apontar equipamentos superaquecidos ou regiões atingidas pelo fogo.

O Centro de Operações Integradas acompanha a rede em tempo real. Quando ocorre um desligamento, as equipes conseguem identificar o trecho afetado e enviar profissionais ao local.

Durante a inspeção, os técnicos procuram sinais de fuligem, aquecimento e danos em postes, isoladores, cabos e conexões. A análise ajuda a definir quais equipamentos precisam ser consertados ou substituídos antes da retomada do fornecimento.

“Nossas equipes estão prontas para atender caso exista algum problema de queimada próximo à rede ou falta de energia. Trabalhamos sete dias por semana e 24 horas por dia”, declara o gerente.

Fogo considerado controlado também pode se espalhar

A empresa alerta que pequenas fogueiras e queimadas realizadas em áreas consideradas controladas também podem atingir outras regiões. O vento pode transportar fagulhas e provocar incêndios longe do ponto onde o fogo começou.

“Uma queimada que parece estar controlada, como uma fogueira, pode produzir fumaça densa. O vento leva as fagulhas para áreas abertas e pode causar um incêndio de grandes proporções”, explica Vinicyus.

A orientação é não lançar bitucas de cigarro ou outros objetos inflamáveis pelas janelas dos veículos. Ao identificar fogo próximo a postes e cabos, a população não deve se aproximar da rede elétrica.

O chamado deve ser feito ao Corpo de Bombeiros, pelo número 193. A Equatorial Goiás também recebe informações e pedidos de atendimento pelo telefone 0800 062 0196.

T LB

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