O trabalho dela se concentra em selecionar microrganismos benéficos, como bactérias e fungos, e torná-los mais eficientes. Esses microrganismos são aplicados nas sementes ou no solo e funcionam como “fertilizantes naturais”, diminuindo a necessidade de produtos químicos.
Ela diz que começou a carreira achando que dificilmente seria reconhecida por estudar biológicos em uma área dominada por químicos. “Eu aqui, no interior do Paraná, sempre lutando, num país onde o financiamento para pesquisa é muito irregular, e tendo dedicado uma carreira aos insumos biológicos, numa época que era só de químicos”, afirmou, em entrevista ao Estadão.
Por que o trabalho dela virou referência
Hungria conta que decidiu ser microbiologista aos oito anos e escolheu atuar fora da área da saúde. “Eu queria trabalhar com agricultura ou com meio ambiente, produzir alimentos, porque eu lembro que eu ficava muito triste quando eu via uma pessoa na rua passando fome”, disse.
Ela se formou em Engenharia Agronômica na USP e fez mestrado e doutorado com teses em fixação biológica do nitrogênio. Hungria entrou na Embrapa em 1982.
O Brasil tem a maior taxa de inoculação do mundo na produção de soja, com 85% da cultura usando insumo biológico. A pesquisadora afirma que, quando começou, havia a ideia de que biológicos serviam apenas para hortas e agricultura comunitária, não para a produção em larga escala.








