Rio e São Paulo, 10 – Os dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que Habitação registrou variação de 0,63% em junho, a maior entre os grupos pesquisados pelo órgão. O resultado foi impulsionado por energia elétrica residencial. Embora a alta das tarifas tenha desacelerado de 3,67%, em maio, para 1,53%, o item permaneceu como o principal impacto individual do IPCA, com contribuição de 0,06 ponto porcentual no cálculo geral do índice Segundo o IBGE, esse resultado foi compensado pela deflação de 0,24% de alimentos e bebidas.
Com variação de 0,25%, o grupo Despesas Pessoais apareceu com a segunda maior variação, com destaque para os subitens empregado doméstico (0,53%) e cabeleireiro e barbeiro (0,65%). Em Saúde e Cuidados Pessoais (alta de 0,23%), sobressaíram os artigos de higiene pessoal (0,34%) – com destaque para o subitem perfume (1,12%) – e plano de saúde, cuja variação de 0,34% refletiu a incorporação de reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Os preços de Transportes, por sua vez, subiram 0,17% em junho, após queda de 0,46% em maio. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,03 ponto porcentual para o IPCA no mês.
Apesar dessa pressão, os analistas destacaram uma melhora qualitativa do índice – com impacto positivo no pregão de ontem da Bolsa de Valores. A parcela de subitens com alta caiu de 65%, em maio, para 54% em junho, indicando desaceleração mais disseminada dos preços.
‘QUALITATIVO BOM’
Na avaliação da economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, o IPCA apresentou um “qualitativo bom”, com surpresa favorável também nos núcleos. Segundo ela, o resultado reforça a melhora do balanço de riscos para a inflação de 2026 e sustenta um cenário de estabilidade ou leve viés de queda para as projeções de longo prazo, embora o quadro fiscal, a proximidade das eleições e o comportamento das expectativas ainda recomendem “máxima cautela” por parte do Banco Central.
Na mesma linha, o ASA destacou que a melhora foi além dos itens mais voláteis, com a média dos núcleos avançando 0,21% em junho, a menor variação desde setembro de 2025, acumulando alta de 4,44% em 12 meses, com destaque para a desaceleração dos serviços de alimentação.
Bens industrializados foi outro componente com comportamento favorável, com preços de vestuário e bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, “em patamar bem comportado”, destacou o economista Alexandre Maluf, da XP.
Para a Capital Economics e a XP, o resultado “deixa a porta aberta” para um corte adicional de 0,25 ponto da Selic em agosto, embora a decisão dependa dos próximos indicadores de inflação e atividade.
Estadão Conteúdo








