Segunda-feira, 19/10/26

Recuperação judicial no agro caem no Brasil; Goiás soma 84 casos

Recuperação judicial no agro caem no Brasil; Goiás soma 84 casos
Recuperação judicial no agro caem no Brasil; Goiás soma 84 – Reprodução

O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro caiu 20,7% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da redução nacional, Goiás registrou 84 solicitações entre abril e junho e ficou em segundo lugar entre os estados com mais pedidos, atrás apenas de Mato Grosso, que contabilizou 107 casos. Os dados são de levantamento da Serasa Experian divulgado nesta segunda-feira (19).

Ao todo, o país registrou 448 pedidos de recuperação judicial no período. Foi a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022, segundo a análise. O resultado também representa uma redução de 5,5% em relação aos três primeiros meses de 2026, quando foram contabilizadas 474 solicitações.

O indicador considera pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física ou jurídica, além de empresas ligadas à cadeia produtiva do agronegócio.

Além de Mato Grosso e Goiás, os estados com mais pedidos de recuperação judicial no agronegócio no segundo trimestre foram São Paulo, com 72 registros; Minas Gerais, com 54; e Paraná, com 42.

Soja lidera pedidos de recuperação judicial

Entre as atividades agropecuárias, o cultivo de soja concentrou o maior número de pedidos de recuperação judicial no país, com 70 solicitações. Na sequência, aparece a criação de bovinos, com 28 registros.

Na divisão por perfil dos produtores, os pedidos de recuperação judicial feitos por pessoas físicas recuaram 10,5% em relação ao segundo trimestre de 2025, chegando a 197. Já as solicitações de produtores rurais que atuam como pessoa jurídica caíram 34,2%, para 160.

Na análise por porte, os produtores classificados como “sem propriedades”, categoria que pode incluir arrendatários, somaram 70 pedidos. Os grandes proprietários registraram 51 solicitações, seguidos pelos pequenos proprietários, com 39, e pelos médios, com 37.

Queda exige cautela, diz Serasa

Apesar da redução no número de pedidos, a Serasa Experian avalia que o resultado deve ser interpretado com cautela. Segundo Marcelo Pimenta, responsável pela área de agronegócio da empresa, a queda pode estar relacionada ao aumento da entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço das renegociações com credores.

O executivo ressaltou, porém, que o cenário ainda é desafiador para o setor, devido aos custos elevados e às condições mais restritivas de acesso ao crédito. Por isso, será necessário acompanhar os próximos trimestres para verificar se a redução nas solicitações será mantida.

T LB

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