Quinta-feira, 24/09/26

Rendimentos de títulos do Tesouro americano atingem maior patamar desde 2007

Rendimentos de títulos do Tesouro americano atingem maior patamar desde 2007
Rendimentos de títulos do Tesouro americano atingem maior patamar desde – Reprodução

FOLHAPRESS

Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, dispararam nesta quarta-feira (23) e atingiram o nível mais alto desde 2007. As altas também foram as maiores desde o anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump em abril de 2025, que provocou forte volatilidade nos mercados.

Na máxima do dia, o rendimento do Treasury de 10 anos, referência para as expectativas sobre a trajetória dos juros americanos no longo prazo, avançou a 5,13%, maior nível desde junho de 2007. As rentabilidades dos Treasury de 2 anos foram a 4,94%, patamar mais elevado desde maio de 2024, e dos de 30 anos foram a 5,41%, patamar mais elevado desde junho de 2007.

O movimento ocorre em meio à alta do petróleo e à perspectiva de avanços tímidos nas negociações no Oriente Médio. Além disso, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha o nível de atividade econômica nos setores de indústria e serviço, avançou a 58,4 em setembro, ante expectativa de queda para 55,3, segundo analistas consultados pela Bloomberg.

“As empresas dos EUA continuam em plena expansão”, disse Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.

O movimento amplia a forte alta dos rendimentos desde o início da guerra com o Irã. As pressões inflacionárias, os temores em relação ao déficit e a economia robusta levaram os investidores a exigir um prêmio maior para comprar títulos da dívida pública americana.

A alta dos rendimentos também significa que os preços dos títulos estão caindo. Isso ocorre porque preço e rendimento caminham em direções opostas: quando os investidores exigem uma remuneração maior para comprar os papéis, os preços recuam; quando a demanda aumenta e os preços sobem, os rendimentos caem.

Além dos Treasuries, as Bolsas S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuavam 0,64%, 0,65% e 1,06%, respectivamente, por volta das 16h.

“Havia expectativa de desaceleração tanto na indústria quanto nos serviços, após números já fortes nos meses anteriores. No entanto, o resultado mostrou justamente o contrário: a atividade não apenas continuou em expansão, como acelerou em relação às leituras recentes […] Uma atividade mais resiliente aumenta a preocupação com pressões inflacionárias e, consequentemente, reduz o espaço para uma queda mais rápida dos juros”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

A pressão sobre os mercados também tem origem no Oriente Médio. A perspectiva de estagnação nas negociações aumenta a aversão global ao risco.

Os sinais, porém, são mistos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner conversaram por meio de mediadores na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Foi o primeiro contato entre autoridades dos dois países desde o fracasso de um acordo provisório de cessar-fogo em julho.

Também há a possibilidade de um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. Em discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quarta, contudo, Pezeshkian acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de ter uma “mentalidade de intimidação” e afirmou que o Irã não se renderá na guerra.

Enquanto isso, o tráfego pelo estreito de Hormuz segue paralisado. Na segunda-feira, os EUA anunciaram que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas nesta quarta. Teerã prometeu retaliar caso países vizinhos cooperem com os Estados Unidos e suspendam os voos iranianos.

A alta do petróleo eleva as perspectivas para a inflação e aumenta a cautela dos investidores diante do temor de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco.

Segundo a ferramenta FedWatch, a combinação desses fatores aumentou as expectativas de alta dos juros pelo banco central americano em outubro. Na terça-feira, a probabilidade de elevação da taxa para a faixa entre 4% e 4,25% estava em 55%. Nesta quarta-feira, subiu para 71%.


T LB

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