Sábado, 22/08/26

Reportagem da Agência Ceub sobre camponesas vence Prêmio Sebrae de Jornalismo pela 3ª vez

Reportagem da Agência Ceub sobre camponesas vence Prêmio Sebrae de Jornalismo pela 3ª vez
Reportagem da Agência Ceub sobre camponesas vence Prêmio Sebrae de – Reprodução

A reportagem “Camponesas defendem modo de vida comunitário, produção sem agrotóxicos e resistência diante de dificuldades”, da Agência de Notícias CEUB em parceria com o Jornal de Brasília, escrita pelos estudantes Mayara Mendes e Mateus Péres, foi escolhida a melhor do Distrito Federal no Prêmio Sebrae de Jornalismo (PSJ) 2026, na categoria Jornalismo Universitário.

A matéria apresenta relatos de camponesas de diferentes regiões do país para mostrar como o modo de vida comunitário, a produção sem agrotóxicos e a organização coletiva são utilizados como formas de resistência diante de desafios sociais, econômicos e ambientais.

O material jornalístico, editado pelo professor Luiz Claudio Ferreira, acompanha histórias de mulheres que vivem da agricultura familiar e da produção artesanal.

Entre elas, está a agricultora Valtenir Viana Barbosa, da comunidade quilombola Mata do Café, na área rural de Minaçu (GO), que leva para feiras produtos como queijo, requeijão, doces, pimentas e sementes produzidas pela própria comunidade.

A reportagem mostra como, para essas mulheres, a produção vai além da geração de renda. O trabalho coletivo representa também a preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações, a autonomia financeira e a manutenção de modos de vida tradicionais.

“Isso aqui tudo é da nossa produção lá do quilombo. A gente faz em família mesmo”, relata Valtenir, que aprendeu as técnicas de produção acompanhando familiares desde a infância.

Mulheres do campo

Entre as entrevistadas, está Itamarara Almeida, integrante da Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), que percorreu mais de 2 mil quilômetros desde Natal (RN) para participar do encontro.

Para ela, a produção das mulheres camponesas também representa a preservação de conhecimentos e formas de organização construídas ao longo das gerações.

“Historicamente, as mulheres camponesas produzem alimentos saudáveis, mas também produzem modos de vida”, afirma Itamarara.

A reportagem também aborda a rotina de trabalho dessas mulheres, que acumulam atividades relacionadas ao cultivo, cuidado dos animais, beneficiamento dos alimentos, comercialização e organização da produção.

Mudanças climáticas

Outro eixo abordado da reportagem é o impacto das mudanças climáticas sobre as comunidades rurais, especialmente na Amazônia.

No Acre, a agricultora e liderança do Movimento de Mulheres Camponesas Edina Belém, moradora de Bujari, relata como o calor intenso e a redução da disponibilidade de água já afetam diretamente a produção agrícola.

Em comunidades rurais, açudes secam mais rapidamente durante os períodos de estiagem, enquanto algumas famílias precisam recorrer a caminhões-pipa para garantir o abastecimento. A dificuldade de acesso à água também compromete atividades agrícolas e o beneficiamento de alimentos.

As alterações climáticas também provocam perdas na produção. Culturas mais sensíveis ao calor, como a alface, enfrentam dificuldades durante a estiagem, levando agricultoras a adaptar estruturas de cultivo e buscar alternativas mais resistentes às altas temperaturas.

Diante das perdas, as camponesas também passaram a investir no beneficiamento de frutas e outros alimentos. Polpas, doces, geleias e outros produtos ajudam a agregar valor à produção e ampliar as possibilidades de renda das famílias.

Próximas etapas

Com a vitória na etapa distrital, a reportagem segue agora para a etapa regional do Prêmio Sebrae de Jornalismo 2026. Os trabalhos mais bem avaliados nessa fase avançam para a etapa nacional.

A premiação reconhece trabalhos jornalísticos que abordam o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico e social, valorizando diferentes formatos e categorias de produção jornalística.

Para os estudantes Mayara Mendes e Mateus Péres, a reportagem também representa o resultado de uma experiência de apuração voltada à escuta de mulheres de diferentes regiões do país e à valorização das histórias produzidas a partir dos territórios.

Terceira vitória seguida

Esta é a terceira vez consecutiva que a Agência de Notícias CEUB conquista o primeiro lugar na categoria Jornalismo Universitário do Prêmio Sebrae de Jornalismo.

Na edição anterior, a reportagem “Famílias de comunidade quilombola em GO enlaçam geração de renda e proteção ao cerrado com produção de marmelada”, escrita pela então estudante Milena Dias, foi escolhida a melhor do Distrito Federal na categoria.

Em 2024, a reportagem  “Cooperativa de reciclagem busca ressocializar detentos e gerar renda na periferia do DF”, produzida para o projeto de extensão Agência de Notícias Ceub, e assinada pelas universitárias Milena Dias e Nathália Maciel, conquistou também o 1º lugar do Prêmio Sebrae na etapa estadual. 

T LB

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