Organizações de direitos humanos acusaram nesta quinta-feira (8) as forças de segurança do Irã de atirar contra manifestantes durante protestos que já resultaram em pelo menos 45 mortes, incluindo oito menores de idade. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, a quarta-feira (7) foi o dia mais letal desde o início das mobilizações, com 13 óbitos confirmados.
Os protestos começaram no mês passado, em Teerã, impulsionados pela crise econômica, pela forte desvalorização do rial e pelos efeitos prolongados das sanções internacionais. A situação se agravou após o fechamento de um mercado popular em 28 de dezembro, quando a moeda atingiu mínimas históricas.
Com a escalada das manifestações, atos foram registrados em 348 localidades das 31 províncias do país, segundo a agência independente Hrana. Há relatos de fechamento de comércios e bazares em cidades estratégicas como Tabriz e Bandar Abbas, importante polo da indústria petrolífera.
As mobilizações são as maiores desde os protestos de 2022 e 2023, iniciados após a morte de Mahsa Amini sob custódia policial. Agora, os atos passaram a questionar diretamente a legitimidade do regime islâmico iraniano.
Diante da crise, o presidente Masoud Pezeshkian pediu contenção às forças de segurança e diferenciação entre manifestantes econômicos e supostos “desordeiros”. Enquanto o Judiciário adota discurso mais duro, líderes internacionais, como os governos dos Estados Unidos e da Alemanha, condenaram o uso excessivo da força.








