Sexta-feira, 10/07/26

Réu por vender dados do INSS usou slogan de ‘defensor de aposentados’

Réu por vender dados do INSS usou slogan de 'defensor de aposentados'
Réu por vender dados do INSS usou slogan de ‘defensor de aposentados’ – Reprodução

Investigação sobre a Farra do INSS

Um empresário, cuja empresa recebeu um Pix de R$ 150 mil de um contador da Conafer – instituição investigada na Farra do INSS –, concorreu às eleições de 2022 com o slogan “defensor dos aposentados”. No ano seguinte, ele se tornou réu por integrar uma organização criminosa especializada em roubar dados de beneficiários da seguridade social.

Com o nome “Zé Miguel”, o empresário tentou uma vaga no Congresso Nacional como deputado federal por São Paulo. Ele chegou a pedir ajuda de integrantes da quadrilha para conseguir votos. Conforme as investigações, enquanto participava da corrida eleitoral, o empresário desviava benefícios dos aposentados. Ele não foi eleito.

Segundo a operação, deflagrada em 2023, o empresário obtinha e comercializava senhas de acesso de beneficiários e históricos de créditos. Para isso, ele utilizava “robôs” de software para invadir o sistema do INSS e desbloquear benefícios para a contratação de empréstimos consignados fraudulentos.

Em apenas três datas, o acusado teria fornecido à quadrilha quase 6 mil históricos de créditos de vítimas. Em uma das vendas dos dados, ele recebeu mais de R$ 200 mil.

A Justiça estima que as organizações envolvidas nesse esquema movimentaram cerca de R$ 32 milhões de forma ilegal. O próprio empresário teria recebido centenas de milhares de reais em suas contas pessoais e de suas empresas, como a “JSM Veículos” e “Junior Automóveis”.

Relatório da CPMI do INSS e a Farra do INSS

O repasse do contador da Conafer à empresa do empresário foi revelado por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS e obtido pela reportagem. De acordo com o documento, o montante foi transferido por meio da Cifrão Tecnologia, um dos vários CNPJs criados pelo contador – preso por envolvimento nos descontos indevidos.

A empresa opera na parte superior de um sobrado localizado no Distrito Federal. O Metrópoles esteve no local и apurou que no mesmo endereço também estão localizadas companhias da sócia de outra ONG investigada na fraude do INSS: a Associação de Aposentados do Brasil (AAB).

Conforme consta no relatório, a Cifrão Tecnologia transferiu o montante ao empresário logo após receber R$ 1,6 milhão da Conafer, em outubro de 2023.

Detalhes das Transferências

Na mesma data, 60 outras transferências imediatas saíram da conta da empresa. Entre elas está um Pix de R$ 300 mil à BSF Gestão de Saúde – companhia que foi investigada na CPMI da Covid-19, por suspeitas de irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde, R$ 100 mil para a N & C Distribuidora de Agropecuários e R$ 22 mil a uma mulher, a sócia da AAB.

No mesmo período, o contador também transferiu R$ 525 mil para a Solution BRB Nova, uma segunda empresa pertencente a ele.

A Cifrão, de acordo com o Coaf, trata-se de uma microempresa que exerce atividade de desenvolvimento de programas de computador, com faturamento de R$ 11.240,86. “No mês em análise, mesmo com nova atualização cadastral, movimentou aproximadamente R$ 1.625.759,14 a mais do que a capacidade declarada”, diz o documento.

Os repasses à vista, imediatos, além da movimentação exorbitante da Cifrão alertou órgãos de fiscalização que não conseguiram identificar explicação para as transferências, levantando suspeita de ser uma empresa laranja.

O outro lado

O Metrópoles tentou contatar os citados por email, por telefone e por meio de advogado, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. A defesa do contador não foi localizada. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

T LB

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