O rover Perseverance, em operação em Marte desde 2021, identificou uma rocha peculiar na cratera Jezero que pode ser um meteorito de ferro-níquel. A descoberta, denominada Phippsaksla, destaca-se em meio ao terreno plano e fraturado circundante devido às suas características distintas e dimensões de aproximadamente 80 centímetros de diâmetro.
As imagens de Phippsaksla foram capturadas pelo Perseverance nos dias 2 e 19 de setembro. A divulgação da descoberta, no entanto, ocorreu apenas recentemente. Acredita-se que o atraso na comunicação se deveu a interrupções nos sistemas governamentais, que afetaram as operações de rotina. Caso se confirme a natureza meteórica do objeto, esta será a primeira descoberta do gênero realizada pelo Perseverance.
O instrumento SuperCam do rover foi utilizado para analisar Phippsaksla, revelando uma alta concentração de ferro e níquel. Objetos com essa composição mineral já foram identificados em Marte pelos rovers Opportunity e Spirit, o que torna a ausência de descobertas semelhantes pelo Perseverance até o momento um tanto surpreendente para os pesquisadores.
Segundo Candice Bedford, da Universidade de Purdue, a detecção tardia de meteoritos de ferro-níquel na cratera Jezero é inesperada, considerando a similaridade de sua idade com a da cratera Gale e a presença de múltiplas crateras de impacto menores, que sugerem uma frequente queda de meteoritos na região.
A análise da composição química de Phippsaksla sugere que a rocha não se formou em Marte. Ao contrário, ela parece ter se originado no espaço, provavelmente a partir do interior de um grande asteroide, e posteriormente caído no planeta vermelho.
Meteoritos são relativamente comuns, atingindo a Terra em grande quantidade diariamente. Estima-se que aproximadamente 48,5 toneladas de material meteórico atinjam o planeta diariamente. A maioria queima na atmosfera ou cai nos oceanos. No entanto, cerca de 60 mil fragmentos foram detectados. Uma pequena parcela desses meteoritos tem origem na Lua ou em Marte, com cerca de 175 meteoritos marcianos já identificados na Terra.
Em Marte, os meteoritos ricos em ferro e níquel tendem a resistir às condições ambientais e permanecer preservados na superfície. Desde 2005, a Sociedade Meteorítica reconheceu 15 desses objetos em Marte, todos detectados por rovers. Acredita-se que a resistência à erosão seja a razão pela qual esses meteoritos são encontrados em terrenos planos, em vez de em crateras, já que as crateras podem ter se desgastado ao longo do tempo, deixando apenas a rocha meteórica.
Enquanto os cientistas planejam análises adicionais para determinar a origem precisa de Phippsaksla, o Perseverance continua a explorar rochas mais antigas, de impactos anteriores, fora da cratera Jezero. A confirmação da natureza meteórica da rocha colocaria o Perseverance na lista de veículos exploradores que identificaram fragmentos de corpos rochosos visitantes em Marte.
Fonte: olhardigital.com.br








