Terça-feira, 16/06/26

RS: ex-secretária e veterinários são presos por mortes suspeitas de animais

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RS: ex-secretária e veterinários são presos por mortes suspeitas de – Reprodução

UOL/FOLHAPRESS

A Polícia Civil prendeu hoje a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas (RS) Paula Lopes e dois veterinários por suspeita de eutanásias sem motivo em cães e gatos resgatados.

Paula foi presa por volta das 6h desta segunda-feira na sede do instituto que leva seu nome, na zona sul de Porto Alegre. A detenção ocorreu na segunda fase da Operação Carrasco, que apura um suposto esquema de mortes de animais sem justificativa.

As investigações também apontaram uma relação direta entre a principal suspeita, que se apresentava como protetora dos animais, e veterinários que atuavam fora da Secretaria. A Polícia Civil afirma que animais resgatados eram encaminhados para eutanásia mesmo quando ainda havia possibilidade de tratamento.

Em um dos casos, uma veterinária questionou se seria realizado um teste para confirmar a suspeita de doença antes de qualquer decisão. Segundo a investigação, a ex-secretária autorizou que a eutanásia fosse feita imediatamente, sem confirmação diagnóstica.

Os investigadores destacam que a conduta contraria a prática clínica recomendada, já que a confirmação de cinomose depende de exame específico antes da indicação de eutanásia.

Outras medidas atingiram mais investigados e ampliaram a apuração. Três veterinários e o marido de Paula tiveram os passaportes recolhidos e ficaram impedidos de sair do país, enquanto a polícia cumpre 12 mandados de busca e apreensão, incluindo clínicas onde as eutanásias teriam ocorrido.

De acordo com a Polícia Civil, foram apreendidos telefones celulares, computadores e outras provas para a sequência das investigações. Também foi apreendido um cão debilitado sem as patas dianteiras, que era utilizado para pedidos de pix nas últimas manifestações em redes sociais.

Na chegada à delegacia, Paula negou que os procedimentos fossem desnecessários. À Rádio Gaúcha, ela disse que “não tinha eutanásias desnecessárias” e afirmou que laudos técnicos comprovariam a necessidade das intervenções.

Paula e Tainara já tinham sido indiciadas na primeira fase da Operação Carrasco. Na ocasião, a polícia disse ter identificado que ao menos 498 animais foram mortos em oito meses durante a administração de Paula na secretaria, em um volume que os investigadores classificaram como desmedido e que motivou o avanço da investigação.

Uma policial civil é também alvo de buscas por suspeita de ajudar a investigada. Segundo a investigação, ela teria vazado informações sigilosas da primeira fase da operação e auxiliado com laudos falsos, e por isso a Justiça autorizou buscas na casa e na sala da delegacia em que a agente trabalha.

A Justiça determinou bloqueio de contas e restrições a atividades ligadas à ex-secretária. A decisão inclui a suspensão de perfis de Paula em redes sociais e de um podcast feito por ela, além da nomeação de um interventor para o Instituto Paula Lopes após avaliação dos animais.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul informou que vai pedir cópia do inquérito para apurar o caso. Em nota, a Prefeitura de Canoas disse que Paula foi exonerada em julho de 2025 e que o município colabora com as investigações, destacando que parte dos fatos apurados envolveria atuação particular ligada a uma entidade privada.

Maus-tratos contra animais são crimes previstos na Lei no 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais). As penas podem chegar a cinco anos de reclusão, especialmente em casos envolvendo cães e gatos. Entre as situações consideradas maus-tratos estão:

abandono em vias públicas ou imóveis vazios;
agressão física, espancamento ou mutilação;
manter o animal preso a correntes curtas;
privação de alimento, água potável ou abrigo;
negligência de assistência veterinária quando o animal está doente ou ferido.

COMO DENUJNCIAR

Procure reunir provas, como fotos, vídeos, datas, horários e o endereço do local, o que pode ajudar na investigação.

A denúncia pode ser feita pelos seguintes canais:
Polícia Militar – 190, em casos de flagrante;
Disque Denúncia – 181, disponível em grande parte do país;
Delegacias especializadas, como delegacias de meio ambiente ou proteção animal.


T LB

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