Sábado, 06/12/25

Satélites espelhados: startup quer iluminar a terra, mas astrônomos temem poluição

Valdir Antonelli

Uma startup americana, Reflect Orbital, planeja revolucionar a forma como enxergamos o céu noturno com uma ambiciosa proposta: lançar uma constelação de satélites equipados com espelhos projetados para refletir a luz solar de forma direcionada para a Terra. A ideia, embora inovadora, já suscita preocupações sobre o aumento da poluição luminosa e seus potenciais impactos ambientais e científicos.

O projeto, que prevê o lançamento de um satélite de testes, o Earendil-1, em 2026, tem como objetivo final colocar em órbita cerca de 4 mil satélites até 2030. Esses equipamentos, munidos de espelhos, refletiriam a luz solar para a Terra, criando pontos luminosos visíveis no céu noturno. Embora a luz refletida seja consideravelmente mais fraca que a do sol, sua intensidade ainda superaria a de uma lua cheia, o que acende um alerta para astrônomos e outros especialistas.

Apesar da tecnologia avançada, a capacidade de concentrar o reflexo em áreas pequenas é limitada. Estima-se que os satélites iluminariam regiões de até sete quilômetros de diâmetro a centenas de quilômetros de altitude. Essa característica levanta questionamentos sobre a real utilidade do projeto e o impacto visual que ele causaria no espaço noturno.

Segundo estudiosos, a Reflect Orbital almeja gerar cerca de 200 watts por metro quadrado, o que corresponde a aproximadamente 20% da luz solar ao meio-dia. Para atingir essa meta, seriam necessários cerca de 3 mil satélites de 54 metros, orbitando a uma altitude de 625 km e movendo-se a uma velocidade de 7,5 km por segundo. Cada satélite iluminaria um ponto específico da Terra por apenas três minutos e meio, o que gera dúvidas sobre a viabilidade do projeto.

O número de satélites necessários para alcançar os objetivos da empresa é um ponto de preocupação. O fundador da Reflect Orbital chegou a sugerir 250 mil satélites em órbitas de 600 km de altura, um número superior a todos os satélites e detritos espaciais catalogados atualmente.

Os riscos potenciais do projeto são diversos. A poluição luminosa extrema alteraria a aparência natural do céu noturno, prejudicando a observação astronômica e a experiência de quem aprecia as estrelas. A luz refletida também poderia interferir nos ciclos biológicos de animais que dependem da luz natural para se orientar. Além disso, os espelhos dos satélites, ao refletirem uma luz intensa, poderiam causar danos à visão humana e interferir em pesquisas científicas, prejudicando a coleta de dados e imagens do espaço.

Em resposta às preocupações, a Reflect Orbital afirma que pretende controlar os reflexos, tornando-os “breves, previsíveis e direcionados”. A empresa também promete evitar observatórios e compartilhar a posição dos satélites com cientistas. Resta saber se essas medidas serão suficientes para mitigar os riscos e justificar os benefícios do projeto.

Fonte: olhardigital.com.br

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