Segunda-feira, 08/06/26

Senado discute uso de emendas da saúde em atendimentos dos bombeiros

Senado discute uso de emendas da saúde em atendimentos dos bombeiros
Senado discute uso de emendas da saúde em atendimentos dos – Reprodução

Uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado discutiu o projeto de lei complementar que permite destinar emendas parlamentares da saúde para custeio e investimento de atendimentos pré-hospitalares feitos pelos corpos de bombeiros militares estaduais e do Distrito Federal.

O debate foi marcado pela divisão de opiniões. Defensores da proposta afirmaram que o texto pode aprimorar os serviços prestados pelos bombeiros e favorecer a população. Críticos, por outro lado, alertaram para o risco de redução de recursos já limitados do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo os dados apresentados na audiência, os Corpos de Bombeiros militares realizaram, em 2025, 1 milhão de atendimentos pré-hospitalares, especialmente relacionados a traumas, o que corresponde a 40% do total de 2,5 milhões de ocorrências registradas.

O projeto, de autoria do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), tramita na CAS e tem relatório favorável do senador Wilder Morais (PL-GO). O texto estabelece que a destinação dos recursos deverá ser aprovada pelo Ministério da Saúde, seguir as diretrizes da Lei Complementar 141, de 2012, e respeitar requisitos definidos pelo Poder Executivo. Também veta o uso das verbas para remuneração de pessoal ativo e inativo dos bombeiros ou para ações que não estejam ligadas aos atendimentos pré-hospitalares.

Na audiência, o senador Humberto Costa (PT-PE), que propôs o debate, afirmou que é preciso avaliar os efeitos da medida sobre um orçamento que segue limitado. Já o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu o fortalecimento dos serviços já prestados pelos bombeiros e pediu a votação imediata do texto na comissão.

Representantes dos bombeiros destacaram que já há estados que autorizam a destinação e execução de emendas estaduais por meio dos fundos estaduais de saúde, como Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Bahia. Também informaram que os investimentos destinados ao atendimento pré-hospitalar por meio de emendas parlamentares representam cerca de 10% do total de recursos captados nessa modalidade.

Do lado do governo, a diretora-executiva substituta do Fundo Nacional de Saúde, Caroline Endo Ougo Tavares, afirmou que o atendimento pré-hospitalar dos bombeiros é complementar ao Samu. O diretor Fernando Augusto Marinho disse que o Samu está presente em 75% dos 5.570 municípios brasileiros e destacou a necessidade de discutir financiamento, regulação e monitoramento de qualquer novo componente no SUS.

O secretário-executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, afirmou que não cabe pressa na discussão e sustentou que, na normativa atual, a despesa de uma instituição da segurança pública não pode ser enquadrada como ação em saúde. Já o secretário-executivo do Conasems, Mauro Guimarães Junqueira, disse que a proposta reduz recursos para a atenção básica, vigilância e ações de média e alta complexidade.

Também houve manifestações favoráveis à integração entre bombeiros e Samu. O presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (Ligabom), Fabiano de Souza, afirmou que os bombeiros atuam em parceria com o SUS e ressaltou a existência de mais de 100 bases integradas entre as duas instituições em todo o país. O tenente-coronel Douglas Martins Soares, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, disse que o trabalho das corporações e do Samu é complementar e que há locais onde apenas o bombeiro consegue chegar.

T LB

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