Sábado, 13/06/26

Sobrinho de Marcola recebeu pagamentos de empresa de ônibus e de suspeitos de crime, diz MP-SP

Sobrinho de Marcola recebeu pagamentos de empresa de ônibus e de suspeitos de crime, diz MP-SP
Sobrinho de Marcola recebeu pagamentos de empresa de ônibus e – Reprodução

Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividade Financeira) e análises da Polícia Civil de São Paulo apontam que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho -sobrinho de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital)- teve transferências de dinheiro com suspeitos de crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, furto, associação criminosa e estelionato.

Entre as transações identificadas na investigação está ainda um pagamento de R$ 50 mil feito por uma empresa suspeita de integrar um esquema de lavagem da facção, a Transunião Transportes S/A, que opera 33 linhas municipais de ônibus na zona leste de São Paulo.

Leonardo Alexsander é um dos seis alvos de uma denúncia de promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, apresentada à Justiça na última quarta-feira (10).

Ele, que está foragido, é acusado de organização criminosa e lavagem de dinheiro, assim como seu pai e sua irmã, o tio Marcola, a influenciadora e advogada Deolane Bezerra e Everton de Souza, apontado como suspeito de ser operador financeiro do esquema.

A defesa de Leonardo Alexsander afirma, em nota, que ele refuta totalmente as acusações feitas pelos promotores.

O advogado Bruno Ferullo, que defende ele e os demais familiares, diz que os valores mencionados na denúncia “serão devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual, oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações”.

Segundo a acusação, o fluxo de dinheiro que passou pelas contas bancárias de Leonardo Alexsander é incompatível com sua capacidade financeira, uma vez que ele não tem atividade econômica declarada nem qualquer histórico de vínculo de emprego.

Durante todo esse período, ele sequer entregou declaração de renda à Receita Federal.

Num período de seis anos e cinco meses, o sobrinho de Marcola recebeu ao menos R$ 417 mil sem identificação da origem, a maioria em depósitos de dinheiro em espécie sem identificação do remetente.
De 2022 a 2024, mais de R$ 300 mil saíram de suas contas sem identificação dos beneficiários.

Ainda assim, nas transferências que puderam ser rastreadas, a investigação encontrou vínculos com suspeitos de crimes. A denúncia não informa a data da transferência de R$ 50 mil da Transunião Transportes, mas o pagamento aparece num relatório que analisa o período de janeiro de 2018 a julho de 2022.

Há dois anos, durante as investigações da Operação Mafiusi, a Polícia Federal apontou um conselheiro da Transunião como suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas do PCC.

A mesma investigação também aponta uma movimentação de mais de R$ 8 milhões entre a empresa de ônibus e um dos seus diretores –Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão, que em 2022 chegou a ser preso por suspeita de assassinar um integrante da diretoria da Transunião. Ele foi solto cerca de um mês depois, a pedido da Promotoria.

Advogados de Lourival de França Monário, sócio da empresa de ônibus, afirmaram que os recursos que entraram no patrimônio da empresa “têm origem em contratos firmados com o poder público municipal para prestação regular de serviço”.

Afirmam também que as suspeitas se referem a pagamentos realizados em período anterior à sua gestão e que ele “implementou rigoroso sistema de controladoria e compliance”.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo informou, por meio da Controladoria-Geral do Município, que “há apuração em curso sobre a empresa Transunião Transportes S/A” e que “o procedimento tramita sob sigilo, em conformidade com a legislação vigente”.

Transferências com suspeitos e laranja

Segundo a denúncia da Operação Vérnix, a análise das contas bancárias do sobrinho de Marcola mostra “múltiplos beneficiários [de transferências realizadas por ou para ele] com passagens por porte de arma, tráfico de entorpecentes, receptação, associação criminosa, falso testemunho e falsificação, evidenciando rede de destinatários com perfil criminalmente sensível”.

A denúncia menciona ao menos quatro pessoas com histórico criminal que enviaram dinheiro para Leonardo Alexsander ou receberam transferências dele.

Além disso, os relatórios mostram que uma mulher de 28 anos que se declarava como estudante repassou mais de R$ 120 mil ao sobrinho de Marcola -levantando a suspeita de que ela cedia sua conta bancária como passagem de dinheiro ilícito, servindo de laranja.

Os promotores afirmam que Leonardo foi um dos beneficiários de um esquema que teria origem na Transportadora Lado a Lado, empresa que segundo a denúncia já foi “reconhecida judicialmente como veículo de lavagem de capitais do PCC”.

A investigação aponta que ele recebeu ao menos R$ 33,2 mil de Francisca Alves da Silva, sua madrasta. Mensagens encontradas em celulares dos investigados apontam que ela chegou a exercer função na gerência da empresa.

Deolane Bezerra também recebeu dinheiro da transportadora, segundo a denúncia. Uma conta bancária da influenciadora chegou a ser indicada para receber depósitos da empresa, também de acordo com trocas de mensagens.

Os promotores relatam que a maioria das transferências entre Deolane e Everton, apontado como operador financeiro da transportadora, ocorreram por meio de intermediários.

A investigação também afirma que há relações de amizade entre a influenciadora, os sobrinhos e uma cunhada de Marcola.

T LB

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