Sexta-feira, 16/10/26

Tarcísio diz que túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado durante temporal em SP

Tarcísio diz que túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado durante temporal em SP
Tarcísio diz que túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado – Reprodução

São Paulo, 15 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira, 15, que o Túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado durante as chuvas que atingiram a capital paulista na tarde de quarta-feira, 14. O temporal inundou o túnel e deixou veículos parcialmente submersos. Assustados, motoristas e passageiros tiveram de sair dos carros para se proteger.

“Ontem (quarta-feira), houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido. Chega uma hora em que, mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, a capacidade de escoamento é inferior à vazão da água que está chegando”, disse o governador.

Procurada para comentar as declarações do governador, a Prefeitura não retornou. Durante uma agenda nesta quinta-feira, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) avaliou que os protocolos da gestão municipal para risco de alagamentos no Vale do Anhangabaú “estão bem fundamentados”. “A gente começou lá o alagamento no Anhangabaú às 16h10. Quando era 16h40, eu já estava com os caminhões, com mais bombas, fazendo a sucção da água. Então a Prefeitura fez um grande investimento. O protocolo funcionou”, disse Nunes.

A administração municipal informou que, em 40 minutos, choveu na região do córrego do Anhangabaú o que equivalente a 11 dias no mês de outubro, e que as seis bombas do túnel usadas para eliminar a água funcionaram de forma ininterrupta.

Operação El Niño em SP

A declaração de Tarcísio sobre o alagamento do túnel do Anhangabaú foi dada durante a apresentação e o lançamento da Operação El Niño, do governo de São Paulo, voltada a mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos – como temporais e ondas de calor – que se tornam comuns nesta época do ano.

As ações incluem medidas de prevenção de desastres e acolhimento da população, são coordenadas pela Defesa Civil e articuladas com secretarias do governo, incluindo as pastas do Verde e Meio Ambiente e da Saúde.

O governador destacou que a ocorrência de eventos climáticos extremos, como temporais, vendavais e ondas de calor, faz parte de um “novo normal” e que as pessoas vão ter que “conviver com isso”. “Ontem (quarta-feira), tivemos essa chuva forte aqui na cidade de São Paulo, e a gente tem que entender que isso vai ser cada vez mais frequente.”

“No Anhangabaú, chegam (os cursos d’água) Bixiga, Itororó e Saracura, que formam o Rio Anhangabaú. E não tem jeito”, disse o chefe do Executivo. “A gente precisa se preparar, não adianta.”

O governo anunciou R$ 29 bilhões em investimentos para o Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas (PEARC), que prevê dezenas de medidas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

A operação geralmente é lançada em dezembro. Em razão da previsão de intensificação do El Niño, fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico, as ações do governo foram antecipadas.

A previsão é de um El Niño de intensidade muito forte, que poderá superar os registrados entre 2015 e 2016. Já em curso, os efeitos do fenômeno serão sentidos no Brasil pelos próximos meses. Entre as principais consequências, estão mudanças no regime de chuvas no País, com fortes temporais nas regiões Sul e Sudeste e risco de estiagem em outras áreas.

Há também a previsão de aumento na ocorrência de ondas de calor, que poderão ser registradas até o final do verão, em março de 2027.

Estadão Conteúdo

T LB

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