Terça-feira, 12/05/26

TJ do Mato Grosso afasta juíza suspeita de favorecer marido réu por feminicídio em disputa pela guarda da enteada

TJ do Mato Grosso afasta juíza suspeita de favorecer marido réu por feminicídio em disputa pela guarda da enteada
TJ do Mato Grosso afasta juíza suspeita de favorecer marido – Reprodução

MATO GROSSO

Companheiro da juíza é acusado de assassinar a mãe da criança; defesa afirma que afastamento é cautelar

TJ do Mato Grosso afasta juíza suspeita de favorecer marido réu por feminicídio em disputa pela guarda da enteada (Foto: Reproduçao)

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(O Globo) O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) afastou a juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis, após o Ministério Público do estado (MPMT) protocolar uma reclamação por infração disciplinar contra a magistrada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o MPMT, ela teria atuado para influenciar decisões judiciais no processo de guarda da enteada. Seu marido é Antenor Alberto de Matos Salomão, réu pelo feminicídio da mãe da criança, assassinada em janeiro de 2023.

Conforme a defesa de Maria das Graças, o afastamento de 90 dias é somente uma medida de “caráter cautelar, preventivo e temporário” para a apuração dos fatos. O advogado Thiago Ranniere sustenta que, por isso, a decisão não significa qualquer “juízo definitivo de responsabilidade” em relação à reclamação.

A juíza é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). No procedimento instaurado, há indícios de que ela tenha agido para “impedir o cumprimento de determinação judicial que concedeu a guarda da menor à avó materna”, chegando a levar a criança para outro local.

A magistrada “teria, inclusive, assumido temporariamente a guarda da menor, o que, somado a outras circunstâncias, levanta dúvidas quanto à observância dos deveres de imparcialidade e de independência funcional no exercício da jurisdição”, diz trecho do processo administrativo.

Ainda segundo o PAD, a denúncia instaurada revelou “indícios relevantes” de que a juíza tenha atuado de maneira próxima à conselheira tutelar envolvida no caso, com o fornecimento de informações privilegiadas ao seu companheiro.

O CNJ, por meio do ministro Mauro Campbell Marques, ressaltou que o Ministério Público também alega que a juíza teria emprestado sua arma de fogo ao marido quando ele já cumpria prisão domiciliar.

— Não houve nem o porte da arma. Foi encontrado um registro da arma dentro da pochete. Sem qualquer indício de uso, de adulteração, ainda mais porque o documento estava vencido. O porte de arma da magistrada nunca esteve na posse do acusado (Antenor) — rebate o advogado Thiago Ranniere.

De acordo com a defesa de Maria das Graças, foi realizado um laudo pericial particular que contradiz a investigação conduzida pela polícia, que culminou na prisão de Antenor, atestando que o marido da juíza “não seria o executor” do feminicídio. A defesa requereu que fosse realizada, por isso, uma nova perícia junto ao Poder Judiciário, que foi negada.

— Essa denúncia realizada pelo Ministério Público tem o único intuito de enfraquecer a imagem da magistrada e levar seu marido a uma condenação popular — afirma Ranniere.

Em nota pública, a Associação Mato-grossense de Magistrados (Aman) pontuou que o procedimento disciplinar tramita sob segredo de Justiça, o que impede a divulgação de mais detalhes. A entidade pregou “a necessidade de cautela” de interpretações e especulações. Para a organização, a juíza possui trajetória “consolidada”, e os direitos assegurados a todo magistrado “serão exercidos nos meios e no momento oportunos”, com ampla defesa e direito ao contraditório.

“A Aman destaca que a juíza Maria das Graças possui uma trajetória consolidada na magistratura, marcada por anos de exercício da função jurisdicional sem qualquer mácula funcional, sempre pautada pela ética, pelo compromisso com a Justiça e pelo respeito às instituições”, publicou a associação.

Crime em 2023

A Polícia Civil informou, à época do feminicídio, que Antenor estava em uma briga judicial em relação à guarda da filha com a mãe, Leidiane Sousa Lima, de 34 anos. O crime, contudo, teria sido motivado pelo fato do acusado ainda ter um “sentimento amoroso” pela vítima. As informações são do portal g1.

Leidiane foi morta a tiros em Rondonópolis quando saía de casa para trabalhar. Um homem em uma moto se aproximou e efetuou os disparos, e ela morreu no local.

T LB

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