Domingo, 14/06/26

Todo mundo mente, mas elas mentem de um jeito bem diferente

Todo mundo mente, mas elas mentem de um jeito bem diferente
Todo mundo mente, mas elas mentem de um jeito bem – Reprodução

Dizem que a mentira feminina é muito mais letal e desesperadora, porque não é instrumental: é gratuita e desejante. Mentem para descobrir o que o outro ou outra quer. Mentem por solidariedade. Mentem sem saber por que mentem.

Ignorando os riscos, é uma mentira ofensiva e não defensiva. Enquanto o homem mente sobre ter, a mulher mente sobre ser.

Mas é o discurso machista que torna a mentira mais complexa, ambígua e melíflua quando sai da boca de uma mulher. Desde a Inquisição, as mulheres eram colocadas como aquelas que seduziam, provocavam e até criavam desejo nos outros. E aqui temos que questionar o monopólio histórico dos homens sobre o que é mentira.

Assim como eles inventaram a Inquisição, eles inventaram o que significa mentir: dizer a alguém algo que é contrário ao que se pensa, percebe ou acredita. Os inquisidores sempre sabem o que pensam, querem ou defendem —ao contrário de nós, que, claramente, pensamos, queremos e acreditamos em coisas diferentes em momentos diferentes e com pessoas diferentes.

Daí vem a diferença da mentira feminina, rotulada de dissimulação, omissão, malícia, perfídia, veneno.

Como o veneno, não age na hora; precisa se espalhar, causando danos progressivos e generalizados, sem que se saiba exatamente como e por onde ele entrou. Quando nos damos conta, fomos tomados por inteiro.


T LB

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