Quarta-feira, 01/04/26

As conversas de “The Rock” com desempregada do DF sobre prêmio milionário

As conversas de “The Rock” com desempregada do DF sobre prêmio milionário
As conversas de “The Rock” com desempregada do DF sobre prêmio milionário | Reprodução

As conversas de “The Rock” com desempregada do DF sobre prêmio milionário

Com mensagens sedutoras, tom afetuoso e uma narrativa construída para parecer absolutamente autêntica, uma pessoa, 32 anos, natural do Benim, na África, e residente em Santa Catarina, transformou as redes sociais e o WhatsApp em palco para um golpe engenhoso desvendado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural). O criminoso iniciava o contato com discursos amáveis, oferecendo atenção, segurança e até elogios, sempre conduzindo a vítima para um ambiente emocional propício à manipulação.

A tática inicial era dar veracidade total ao falso perfil que administrava nas redes. Ao se apresentar ora como integrante da equipe do ator norte-americano Dwayne “The Rock” Johnson e ora como a própria estrela de Holywood, enviava mensagens bem estruturadas, tratava a vítima pelo nome e simulava interesse pessoal. Após alguns minutos de conversa, ele informava que a pessoa havia sido “sorteada” para receber um iPhone ou, em outras ocasiões, um prêmio internacional de 800 mil euros, o esquivamente a R$ 4,9 milhões.

Veja as conversas:

A conversa evoluía com rapidez. O golpista afirmava estar “com a encomenda em mãos” e logo enviava um documento falso, pedindo que a vítima imprimisse e assinasse. O arquivo simulava um contrato oficial, repleto de parágrafos em inglês e português, lacres falsificados e uma cláusula de rara ousadia: garantia ao portador o direito de “registrar reclamação em qualquer delegacia de polícia ou serviço de segurança caso não receba sua encomenda após o pagamento do prêmio”, artifício que eliminava dúvidas e induzia confiança.

Com o cenário montado, o criminoso informava que, para liberar o pacote, seria necessário um pagamento inicial de R$ 2.850,00, referente a “taxas de envio internacional”. A vítima era instruída a aguardar até 72 horas antes de procurar autoridades caso não fosse atendida, reforçando a falsa aparência de procedimento regular.

Convencida pela lábia, pelos documentos e pela insistência, a vítima realizou a primeira transferência via Pix. Pouco depois, o golpista voltou a contatá-la relatando “dificuldades na estrada”, justificando novos pedidos de quantias — sempre acompanhados de imagens de encomendas lacradas, documentos adulterados e mensagens em tom de urgência.

Escalada de cobranças

A história que começou com um iPhone fictício evoluiu para o suposto envio de um prêmio de 800 mil euros. O criminoso continuou exigindo valores cada vez maiores, alegando problemas logísticos, entrevistas obrigatórias, taxas alfandegárias e seguros complementares.

A vítima do DF, moradora da Vila Estrutural, acreditou na promessa e realizou nove transferências, totalizando R$ 9,8 mil:

Transferências realizadas:

  • R$ 2,8 mil — primeira “taxa de envio internacional”.
  • R$ 1,5 mil — suposto acidente com caminhão da transportadora.
  • R$ 1 mil — complemento do seguro da carga.
  • R$ 550 — valor restante para liberar a entrega.
  • R$ 1,35 mil — “entrevista obrigatória” para recebimento do prêmio.
  • R$ 1,53 mil — taxas alfandegárias adicionais.
  • Valores menores posteriores, decorrentes de nova pressão psicológica e promessas de entrega imediata.

Operação e prisão

Outra vítima, em Minas Gerais, perdeu cerca de R$ 80 mil, conforme boletim repassado à PCDF.

A Operação The Rock cumpriu mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão em Florianópolis e Itajaí. Celulares e dispositivos eletrônicos serão periciados para identificar novas vítimas.

O investigado responderá por estelionato eletrônico, crime com pena de 4 a 8 anos de reclusão.

T LB

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