O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) iniciou, nesta quarta-feira (23), o processo de carga e lacração das 6.969 urnas eletrônicas que serão preparadas para as eleições até 30 de setembro no Centro de Operações da Justiça Eleitoral. Nesta primeira etapa, 1.107 equipamentos das 4ª, 13ª e 17ª zonas eleitorais recebem os dados necessários para a votação, além de 87 urnas de contingência. O procedimento envolve a instalação dos sistemas, conferência das informações, testes e aplicação dos lacres físicos de segurança.
A preparação é uma das etapas que antecedem o envio dos equipamentos aos locais de votação. Durante a carga, são inseridas nas urnas as informações relativas aos partidos, coligações e federações, além dos dados das seções eleitorais, dos eleitores e dos candidatos. Data e horário também são configurados de acordo com o padrão definido pela Justiça Eleitoral.
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do TRE-DF, Andrey Bernardes Pousa, depois da carga, os equipamentos recebem lacres físicos com números de controle. Os comprovantes do procedimento permanecem sob responsabilidade da área de tecnologia e serão utilizados posteriormente no sorteio para o teste de integridade, previsto para 3 de outubro.
“A partir de hoje, essas três zonas eleitorais estão aptas. Elas são acompanhadas pelo juiz eleitoral, pelo Ministério Público, pela OAB, pelas entidades fiscalizadoras e pela imprensa. Então, todo mundo pode acompanhar a carga e a lacração das urnas”, explicou Andrey.
Identificação individual
Além dos lacres físicos, o processo conta com mecanismos digitais para identificar cada equipamento. De acordo com o secretário, depois da carga, a urna fica vinculada a uma chamada “tabela de correspondência”, que funciona como uma identificação própria do aparelho.
“A partir do momento que a urna assina, na carga, a tabela de correspondência dela, como se fosse um CPF, a gente transmite para o sistema de totalização”, explicou. Essa identificação pode ser conferida tanto no equipamento quanto no sistema de totalização e permanece registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na prática, quando o equipamento gerar o resultado da votação, a identificação será novamente verificada. “O sistema de totalização só vai aceitar o resultado se for assinado pela urna com aquela tabela de correspondência”, acrescentou Andrey.
A preparação também busca antecipar eventuais problemas que possam ocorrer antes ou durante a votação. Segundo o TRE-DF, os equipamentos são ligados e passam por testes nos quais são verificadas informações como zona, seção, data e horário, além do funcionamento da impressora da urna e possíveis atolamentos de papel.
Caso seja constatada alguma falha, o equipamento pode ser substituído por uma urna de contingência, preparada para receber os dados da seção principal. De acordo com Andrey, o DF mantém uma reserva correspondente a 8% das urnas para atender a esse tipo de ocorrência. “A gente tem uma média no Brasil de 1% de troca de urna eletrônica e temos aqui preparado 8% para esse tipo de situação”, afirmou o secretário.
Informação ainda é desafio
Esse procedimento pode ser acompanhado pela população e é visto por eleitores como um fator importante para compreender melhor o funcionamento e segurança das urnas. A estudante de Administração Ana Vitória Rodrigues, de 23 anos, afirma confiar no processo eleitoral, mas avalia que as informações sobre as etapas que antecedem a votação ainda poderiam chegar a um público maior. “Eu tenho, sim, confiança de que todos os votos de todos os cidadãos do nosso país têm seu direito preservado ali nas urnas”, afirmou.
Para a estudante, as informações disponibilizadas nos canais digitais são acessíveis para quem já acompanha o assunto, mas existe uma dificuldade em alcançar pessoas em situação de vulnerabilidade. “A comunicação pode melhorar um pouco em relação a isso, porque ela ainda fica muito limitada somente a algumas redes sociais”, avaliou.
Ana Vitória destaca que encontra informações atualizadas nos canais digitais do tribunal, mas considera necessário ampliar as formas de comunicação. “Encontrar formas de fazer com que essas informações, ainda infelizmente muito limitadas, cheguem a essa população mais vulnerável, eu acredito que seja muito importante”, completou.








