Domingo, 03/05/26

Treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão nega estupro de alunas

Treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão nega estupro de alunas
Treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão nega estupro de alunas – Reprodução

O treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão, 47, um mais conhecidos do país, se pronunciou neste sábado (2), pela primeira vez, sobre as acusações de estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo eletrônico que o levaram a prisão na segunda (27), em Manaus.

Em nota enviada pelo advogado Átila Machado, o esportista negou ter cometidos os crimes. “A defesa reitera que Melquisedeque Galvão permanece à disposição das autoridades competentes, confia no regular funcionamento das instituições e aguarda a completa elucidação dos fatos.”

O treinador também atua como policial civil no Amazonas, é associado a projetos sociais em Manaus e, nos últimos anos, ampliou a atuação em São Paulo, com equipe e academia própria. As três supostas vítimas identificadas seriam de ambos os estados onde ele atuava.

A defesa dele afirma que Melqui Galvão tem “histórico funcional ilibado, tendo atuado durante anos em atividades de segurança pública, capacitação, defesa pessoal e treinamento, sempre com dedicação ao serviço público e ao cumprimento das atribuições inerentes ao cargo”.

Com a repercussão do caso, a Polícia Civil do Amazonas afastou, em caráter cautelar, Melqui de suas funções até a conclusão das apurações, além de já ter iniciado apuração sobre a regularidade do vínculo funcional e eventuais incompatibilidades no exercício de atividades fora do estado.

A corporação abriu um procedimento administrativo disciplinar para apurar as circunstâncias dos fatos e reforçou que “não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta, reiterando seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência”.

A prisão temporária do treinador foi expedida pela Justiça de São Paulo após uma ex-aluna, de 17 anos, ter afirmado que foi vítima de abusos durante uma viagem ao exterior para participar de uma competição esportiva.

Segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), outras duas supostas vítimas foram identificadas. Uma delas disse, em depoimento, que foi vítima quando tinha 12 anos. O caso é investigado 8ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).

A pasta informou que os investigadores ouviram os pais das jovens e eles apresentaram uma gravação de áudio na qual o suspeito teria admitido o crime de forma indireta, bem como mensagens trocadas entre eles, “nas quais foram verificados indícios da prática criminosa”.

O treinador manaura criou sua própria academia, a Escola Melqui Galvão Manaus.

Mica Galvão, 22, seu filho, é visto como um dos grandes talentos atuais do jiu-jítsu. Em 2022, aos 18 anos, tornou-se o mais novo campeão mundial da modalidade, na categoria peso-leve. Em 2023, porém, teve o título retirado por causa de um exame antidoping que acusou a presença da substância proibida clomifeno, utilizada para estimular a produção de testosterona.

No último dia 28, após a notícia da prisão, o jovem usou as redes sociais para se manifestar sobre a situação. Segundo ele, era “difícil encontrar palavras”. “Foi meu pai quem me colocou no tatame pela primeira vez ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter”, escreveu.

“Ao mesmo tempo, eu me sinto na obrigação de ser honesto: que os fatos sejam investigados com seriedade e que a Justiça cumpra seu papel”, acrescentou Mica. “Como pessoa, repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças –esse é um valor que carrego, não abro exceção.”

A CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu) e a IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation) divulgaram uma nota conjunta que manifesta apoio às vítimas e informa que Melqui Galvao será banido definitivamente de seus quadros e não poderá mais participar de eventos e atividades promovidas pelas entidades.

“Enaltecemos os atletas que tiveram a coragem de expor as situações de violência sofridas, permitindo que outras vítimas se sintam encorajadas a denunciar seus algozes. A CBJJ e a IBJJF esclarecem que todos os casos de abuso serão tratados com rigor e reafirma o compromisso de garantir ambientes seguros, éticos e respeitosos em todas suas atividades”, diz o comunicado.

T LB

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