Segunda-feira, 11/05/26

Trump chama proposta de paz do Irã de ‘lixo’ e diz que cessar-fogo está em ‘estado terminal’

Trump chama proposta de paz do Irã de ‘lixo’ e diz que cessar-fogo está em ‘estado terminal’
Trump chama proposta de paz do Irã de ‘lixo’ e – Reprodução

O presidente Donald Trump disse na segunda-feira, 11, que o cessar-fogo com o Irã está em “estado terminal” após rejeitar a última proposta do país, que não incluía uma concessão nuclear. Questionado se a trégua ainda estava em vigor, Trump disse que o considerava “incrivelmente frágil” e em “estado terminal”.

“Eu diria que está no estado mais frágil agora, depois de ler aquele lixo que nos enviaram”, disse Trump durante uma aparição não relacionada no Salão Oval. “Eu nem terminei de ler.”

O mandatário ainda afirmou que almeja uma “vitória completa” na guerra contra o Irã, em meio à crescente pressão para chegar a um acordo de paz. “Vamos ter uma vitória completa”, disse Trump a repórteres, acrescentando que o Irã pensa que ele irá “cansar disso. Vou ficar entediado, ou vou sofrer alguma pressão. Mas não há pressão nenhuma.”

Mais cedo, o Irã classificou como “generosa e responsável” a proposta apresentada por Teerã para encerrar a guerra com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump rejeitar publicamente os termos iranianos. A declaração foi divulgada pela agência Reuters.

“Nossa reivindicação é legítima: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e da pirataria dos EUA e a liberação dos ativos iranianos congelados injustamente devido à pressão americana”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, nesta segunda-feira, 11.

Segundo Baghaei, o documento também prevê “passagem segura” pelo Estreito de Ormuz e medidas para garantir a segurança regional e no Líbano. O governo iraniano afirma considerar essas exigências uma oferta “responsável” para reduzir a tensão no Oriente Médio.

Dias depois de Washington apresentar uma proposta para retomar negociações, Teerã divulgou no domingo, 10, uma resposta centrada no fim do conflito em diferentes frentes, especialmente no Líbano, onde Israel combate integrantes do Hezbollah apoiados pelo Irã.

De acordo com a imprensa estatal iraniana, o documento enviado aos EUA também exige compensações pelos danos causados pela guerra, o fim do bloqueio naval americano, garantias contra novos ataques, suspensão das sanções e o encerramento das restrições à venda de petróleo iraniano.

Poucas horas após a divulgação da proposta, Trump afirmou nas redes sociais que considerava os termos “totalmente inaceitáveis”, sem dar detalhes sobre os pontos rejeitados.

O impasse já aumentou a preocupação do mercado financeiro com a continuidade do conflito, que já dura dez semanas. Os preços do petróleo subiram quase 3% nesta segunda-feira diante do temor de que a crise mantenha a navegação praticamente paralisada no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito transportados no mundo antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.

Negociação

Inicialmente, Trump condicionou o cessar-fogo temporário em curso com o Irã, iniciado no mês passado, à livre circulação de navios pelo estreito. No entanto, o Irã continua insistindo que qualquer embarcação que atravesse o Golfo Pérsico precisa coordenar seus movimentos com Teerã, e Trump recuou repetidamente de suas ameaças de atacar o Irã.

Na semana passada, o republicano anunciou uma operação militar dos EUA para libertar navios presos no gargalo marítimo causado pela guerra, denominada “Projeto Liberdade”. Mas, aproximadamente um dia depois, a operação foi abruptamente suspensa para permitir novas negociações e não foi retomada.

A contraproposta iraniana também exigia que os EUA encerrassem as severas sanções econômicas contra o Irã, segundo a mídia estatal iraniana. Analistas afirmaram que isso era improvável, a menos que as autoridades americanas recebessem concessões significativas em relação ao programa nuclear iraniano em troca, compromissos que o Irã descartou até o momento.

Pressão

Autoridades iranianas enfrentam pressão interna para chegar a um acordo. Antes da guerra, as sanções lideradas pelos EUA haviam pressionado a moeda iraniana, o rial, desencadeando manifestações que rapidamente se transformaram em um movimento de massa exigindo a deposição da República Islâmica. As forças de segurança iranianas reprimiram violentamente os protestos, matando milhares.

Desde a guerra, a situação econômica do Irã só piorou em meio aos ataques dos EUA e de Israel à indústria iraniana, bem como a um bloqueio de internet imposto pelo governo. Um oficial do governo iraniano, Gholamhossein Mohammadi, estimou que a guerra causou a perda de um milhão de empregos, “e o desemprego direto e indireto de dois milhões de pessoas”, em comentários relatados pela agência de notícias Tasnim.

Mas especialistas em Irã dizem que a abordagem iraniana reflete uma liderança recém-fortalecida que acredita ter sobrevivido a um esforço conjunto dos Estados Unidos e de Israel para depô-la.

“Uma coisa é clara: a resposta do regime iraniano reflete a mentalidade de uma liderança que acredita ter sobrevivido à guerra e vencido, não que a tenha perdido”, escreveu Danny Citrinowicz, ex-oficial sênior da inteligência militar israelense que trabalhou com o Irã, nas redes sociais. “Como resultado, suas exigências continuam altas e sua disposição para negociar é extremamente limitada.”

*Com informações das agências internacionais.

Estadão Contéudo

T LB

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