FOLHAPRESS
No dia seguinte ao anúncio de que haviam chegado a um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro, o que abriria caminho para a retomada do comércio marítimo no estreito de Hormuz, Estados Unidos e Irã emitiram mensagens conflitantes sobre o tema nesta segunda-feira (15).
O presidente americano Donald Trump afirmou que navios já estão circulando no estreito, rota responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo, que havia sido bloqueado pelo Irã em meio à guerra.
“Os navios estão começando a sair do estreito de Hormuz, muitos deles carregados de petróleo”, escreveu Trump na rede social Truth Social. “Eles estão seguindo pela “rodovia” do sul, que é totalmente segura e imaculada. Existem outras rotas de navegação também!!!.”
O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, disse que espera que o texto do acordo seja divulgado nesta semana e que não haja cobranças para a reabertura de Hormuz.
“Nossa expectativa é que o estreito seja aberto sem cobrança de pedágio a longo prazo”, afirmou à CNBC. “É esse tipo de questão que vamos resolver nessas negociações técnicas.”
Newsletter Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo *** Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou disse segunda que o acordo prevê que Teerã cobrará taxas de serviços marítimos dos navios que transitarem pela via navegável.
“Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar pedágios de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, afirmou o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, em entrevista a jornalistas.
O órgão também disse que o Irã ainda nutre uma “profunda desconfiança” em relação aos Estados Unidos, apesar do acordo.
“Infelizmente, é preciso reconhecer que a profunda desconfiança do Irã em relação aos Estados Unidos decorre de uma longa história de atos ilícitos por parte dos líderes americanos”, afirmou Baqaei.
O acordo entre Washington e Teerã tem assinatura formal marcada para sexta-feira (19), na Suíça.
O fechamento de Hormuz levou o valor do barril do petróleo a saltar de cerca de US$ 72 (R$ 364) antes de 28 de fevereiro, início do conflito, para um pico de US$ 126 (R$ 638) no final de abril.
Com o anúncio do acordo, a expectativa de normalização do fluxo energético teve impacto imediato. Os contratos futuros do petróleo Brent caíam cerca de 4% nas primeiras horas de abertura do mercado internacional, enquanto o petróleo americano WTI registrava queda de 4,6%.
O presidente francês Emmanuel Macron disse, na tarde desta segunda, durante a abertura do G7 nos Alpes franceses, que França e Reino Unido estão prontos para liderar uma missão militar conjunta de escolta e remoção de minas no estreito de Hormuz, tão logo o acordo de paz entre Washington e Teerã seja confirmado.
Macron afirmou que uma eventual cobrança de pedágio pela passagem dos navios não é aceitável. “Não está de acordo com o direito internacional”, disse, acrescentando que a prioridade imediata é ver os navios circulando novamente, mas que a questão do pedágio será discutida na cúpula.








