Instituto Nacional do Cerrado é criado
Universidades criaram o Instituto Nacional do Cerrado no dia 16 de setembro, buscando integrar e promover a pesquisa científica para o desenvolvimento sustentável do bioma.
Desafios do Cerrado
Mercedes Bustamante, professora da UnB e especialista no Cerrado, afirma que a região concentra os grandes desafios atuais. Os impactos da mudança climática já se fazem sentir, as mudanças de uso da terra são rápidas, e há conflitos socioambientais, gerando consequências negativas para as seguranças alimentar, hídrica e energética.
A pesquisadora, primeira diretora-executiva da nova entidade, ressalta que o instituto pode implementar estratégias inovadoras, de impacto nacional e global. Conciliar agricultura com conservação da biodiversidade, estabilidade climática e justiça social requer soluções direcionadas.
De agosto de 2024 a julho de 2025, o Cerrado perdeu 7.235 km² de vegetação nativa, o menor índice em cinco anos, mas equivalente a quase cinco vezes a área de São Paulo. O bioma é a savana mais biodiversa do mundo e berço da maioria das bacias hidrográficas do país, mas também é fronteira do agronegócio brasileiro, principal motor do desmatamento na região.
Bustamante explica que já existe um conjunto robusto de universidades e centros de pesquisa fazendo ciência sobre o bioma, mas há necessidade de um espaço para articular soluções para os problemas socioambientais complexos.
O lançamento do órgão, fundado como associação civil, contou com a participação de reitores e pesquisadores de 19 instituições de ensino superior da região.
A demanda dos acadêmicos era que a entidade fosse criada pelo governo federal, sob o MCTI. Em agosto, a pasta afirmou que reconhecia o mérito da proposta, mas não dispunha de orçamento. O novo instituto vai pleitear sua classificação como organização social e, na sequência, a vinculação à pasta por meio de um contrato de gestão.
Segundo os responsáveis, esse modelo, mais enxuto e célere, já é usado por outros centros. O formato também é menos oneroso aos cofres públicos, já que tem maior autonomia para buscar recursos em outras fontes.
De acordo com Bustamante, o financiamento foi um dos pontos centrais para a criação da associação. A diretoria executiva provisória do instituto, com mandato de seis meses, é composta pelo professor Laerte Guimarães Ferreira, da Universidade Federal de Goiás, na posição de diretor administrativo-financeiro.
Ferreira afirma que este é um passo histórico para fortalecer a pesquisa e apoiar a transição ecológica do país.








