Quinta-feira, 30/04/26

USP oferece reajuste de bolsas e criação de novo auxílio para encerrar greve dos estudantes

Novo reitor da USP enfrenta primeira greve após aprovar bônus para professores
Novo reitor da USP enfrenta primeira greve após aprovar bônus – Reprodução

A USP (Universidade de São Paulo) ofereceu reajuste anual no valor das bolsas de assistência estudantil, pela inflação, para tentar encerrar a greve de seus estudantes. Também foi proposta a criação de um novo programa de auxílios para ingressantes em situação de vulnerabilidade econômica.

Em mesa de negociação que durou cerca de 6 horas nesta terça-feira (28), começando por volta das 15h e terminando às 21h, a reitoria tentou desmobilizar o movimento discente fazendo algumas concessões.

As propostas serão avaliadas em assembleias, geral e nos cursos, ao longo da semana.

Iniciada há duas semanas, a paralisação dos alunos tem como pautas melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas integrais de R$ 885 para cerca de R$ 1.804 (salário mínimo paulista), e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários.

A instituição também apresentou sugestões sobre os restaurantes universitários. Além da instauração de grupos para avaliar a qualidade deles, foi prometida a contratação de novos funcionários, a oferta de três refeições durante a semana e a implementação de café da manhã e almoço aos sábados.

Também foram colocadas ofertas sobre a criação de grupos de trabalho com ampla participação discente. Um deles seria para avaliar cotas trans e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil.

Outro seria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria após críticas. O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa.

Esse tema, porém, seguirá sendo debatido. Segundo a USP, há necessidade de criar normas para haver segurança jurídica.

“A pressão do movimento estudantil fez a reitoria ceder e já implementar algumas propostas, demonstrando que nossa luta está surtindo efeito. Porém, deixamos claro que promessas não são suficientes, que nossas demandas ainda não foram atendidas em sua totalidade e que seguimos em greve”, diz o DCE (Diretório Central dos Estudantes).

Capilaridade da greve

A paralisação dos estudantes da USP chegou a todas as 43 escolas, faculdades e institutos, na capital e no interior.

Isso não significa que todos os mais de 180 cursos estejam paralisados. Segundo contabilizado pela reportagem, são ao menos 110 —ou seja, cerca de 60%.

O movimento teve como estopim um bônus para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

A medida, votada pelo Conselho Universitário em 31 de março, criou um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão.

O mecanismo, que custará R$ 238,44 milhões por ano aos cofres da instituição, também deu início a uma greve de servidores, encerrada na quinta-feira (23) após a reitoria oferecer o mesmo repasse à categoria.
Agora, os estudantes também tentam extrair algo da gestão de Aluisio Segurado.

Em comunicado expedido na última quarta-feira (22), a Pró-Reitoria de Graduação da USP vetou qualquer alteração no calendário acadêmico devido à greve dos estudantes.

“Não estão previstas nem autorizadas alterações no período de aulas, nas interações de matrícula, nos prazos para lançamento de notas e frequência ou no período de recuperação”, diz o texto.

Da mesma forma, segue, não está autorizada a migração de atividades presenciais para o formato remoto, tampouco que sejam ministradas disciplinas por meio de gravação.

T LB

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