Terça-feira, 28/04/26

Suspeito de elo com PCC usou heliponto da sede do Governo de SP em 2022

Suspeito de elo com PCC usou heliponto da sede do Governo de SP em 2022
Suspeito de elo com PCC usou heliponto da sede do – Reprodução

Suspeito de liderar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital), João Gabriel de Mello Yamawaki estava em um helicóptero que pousou, com aval, no Palácio dos Bandeirantes a fim de abreviar sua ida a um jogo de futebol no estádio do Morumbi, que fica a 1,3 quilômetro da residência oficial do governador de São Paulo.

O caso ocorreu no início de 2022, durante a gestão João Doria. O ex-governador declarou à Folha de S.Paulo que não vai comentar o caso e que as tratativas sobre o uso do heliponto cabem à Casa Militar. O órgão é subordinado ao gabinete do governador.

Já a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que “o caso mencionado ocorreu em março de 2022, portanto, sem qualquer relação com a atual gestão”. Afirmou também que “a autorização para pousos e decolagens no heliponto do Palácio dos Bandeirantes segue critérios técnicos e operacionais determinados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)”.

A informação sobre o uso do espaço consta da representação da Polícia Civil de São Paulo que fundamentou a operação realizada nesta segunda-feira (28) para combater a infiltração do PCC no setor público. Quatro pessoas foram presas e outros 22 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Civil.

Yamawaki estava foragido quando a Polícia Civil pediu sua prisão, no início do ano, mas ele acabou detido há cerca de dois meses em Paranã, no Tocantins, onde se encontra desde então.

Ele é fundador da 4TBank, fintech criada para, segundo as investigações, angariar contratos com prefeituras e lavar dinheiro do PCC.

Seu braço-direito no suposto esquema era o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, um dos presos na operação desta segunda e o responsável por costurar o pouso do helicóptero no Palácio dos Bandeirantes em 2022.

Naquela ocasião, Yamawaki chegou até a residência oficial do governador do estado acompanhado de familiares. A reportagem não identificou quem realiza a defesa dele e do ex-vereador.

A polícia diz que as circunstâncias do pouso ainda merecem apuração, mas que o ex-vereador de Santo André possivelmente pediu a Adriano Guimarães, que na época trabalhava na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, interlocução com a Casa Militar para o uso do heliponto.

Há indícios, segundo as investigações, de que o então comissionado da pasta “seria a pessoa responsável por ‘agilizar’ o uso das dependências do Palácio do Governo por um integrante do PCC”.

Guimarães não consta como investigado. Ele disse à Folha de S.Paulo que não tem ideia do que possa ter ocorrido.

“Primeiramente que eu não tinha autonomia nem autoridade para dar tal autorização, nem tinha acesso para fazer o pedido e não sei nem quem são essas pessoas citadas”, afirmou.

A justificativa oficial teria sido a de que Yamakawi pertencia a uma delegação do Japão. “Surpreendeu-nos a rapidez com que todo esse trâmite se desenvolveu, já que as tratativas se iniciaram às 8h58 e a autorização foi deferida às 14h23”, diz a Polícia Civil.

Conversas entre o ex-vereador de Santo André e Yamawaki obtidas durante as investigações sugerem que a dupla chegou a ficar apreensiva antes da autorização e depois celebrou o aval.

“Vamos aguardar. Bem-vindo ao governo de São Paulo”, escreveu Thiago ao colega na época. “Melhor governo que já conheci na vida”, respondeu Yamawaki.

Quando a autorização chegou por e-mail, Rocha encaminhou ao colega uma cópia do documento e disse “Quero mais R$ 2.000 caralho. Que força é essa manoooo”.

“Fodástico”, rebateu Yamawaki.

T LB

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