Grupos voltados à troca cultural e à prática de idiomas têm reunido brasileiros e estrangeiros em encontros mensais para conversação, integração social e construção de amizades. Com reuniões em bares, restaurantes, parques e eventos culturais, iniciativas como o Clube Poliglota Goiânia e a InterNations ajudam expatriados a enfrentarem o isolamento causado pela barreira linguística, ao mesmo tempo em que oferecem aos goianos a oportunidade de praticar idiomas sem sair do Brasil.
Criado em Goiânia em 2015, o Clube Poliglota é organizado por Rogério Santos desde 2017. Nascido e criado na capital goiana, ele conta que a ideia surgiu após retornar de intercâmbios realizados nos Estados Unidos e sentir a necessidade de manter a fluência no inglês. “A motivação foi justamente continuar praticando os idiomas que eu falava por meio da conversa com outras pessoas”, explicou ao Mais Goiás.
Os encontros acontecem uma vez por mês, geralmente em hamburguerias ou no Parque Flamboyant, quando o clima permite. Segundo Rogério, cerca de 30 pessoas têm participado de cada edição neste ano.
Grupo aberto ao público
O grupo é aberto ao público, mas é necessário que os participantes tenham ao menos algum conhecimento em um idioma estrangeiro, já que o português não costuma ser utilizado durante os encontros. “Há iniciantes que vão apenas para escutar, como forma de estimular os estudos. Mas, para aproveitar melhor a experiência, recomendamos pelo menos um nível intermediário”, afirma.
As datas e os locais dos encontros são divulgados nas redes sociais do grupo, como Instagram, Facebook, WhatsApp e Meetup.
Entre os idiomas mais praticados estão inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. Eventualmente, os encontros também reúnem falantes de russo, chinês, holandês e coreano, entre outros idiomas.
Sensação de pertencimento
Para muitos estrangeiros que vivem em Goiânia, os encontros representam mais do que apenas a prática de idiomas. É o caso da empresária filipina Li-An, que mora na cidade desde 2025. Segundo ela, o grupo ajudou a amenizar o sentimento de solidão enfrentado após a mudança para o Brasil.
Ela conta que participar das reuniões permite que consiga se expressar de forma mais natural. “Quando falamos nossa língua nativa, conseguimos transmitir emoção e personalidade. No português, ainda sinto que me comunico de forma muito objetiva”, diz.
Li-An destaca ainda a importância emocional desses espaços de acolhimento. Antes de vir para o Brasil, ela trabalhou no Canadá auxiliando mulheres refugiadas e imigrantes em processos de integração social. “Hoje eu entendo emocionalmente o valor desse tipo de grupo. Não falar a língua local não é apenas um problema de comunicação, mas também de identidade”, afirma.
“Esses grupos em Goiânia funcionam como o ‘porto seguro’ que eu ajudava a construir para aquelas mulheres no Canadá. É um lugar onde não somos apenas ‘estrangeiros tentando se virar’, mas indivíduos que podem ser compreendidos plenamente. Isso ajuda a manter meu equilíbrio mental e social. Além da minha família, o grupo me dá algo pelo que ansiar”, disse ao Mais Goiás.
InterNations
Outro grupo que promove integração internacional é a InterNations, organização global voltada a expatriados e residentes interessados em conexões multiculturais. Presente em mais de 400 cidades do mundo, a comunidade existe em Goiânia desde 2010 e atualmente reúne cerca de 80 membros na capital.
“Quando uma pessoa se muda para outro país, é muito comum sentir-se como um estranho em uma terra desconhecida. Pode ser uma experiência avassaladora e, por vezes, solitária. Ajudamos a superar esses desafios”, explica o austríaco Clemens Purrucker, um dos líderes do grupo na cidade.
Os encontros oficiais acontecem mensalmente em bares e restaurantes, mas o grupo também organiza atividades como jogos de futebol, aulas coletivas de português, churrascos, concertos e visitas culturais. Segundo Clemens, cerca de 75 eventos foram realizados nos últimos dois anos e meio.
“O mais importante é que cada um pague a própria conta, para evitar confusão na hora de acertar os valores. Nada de música alta, porque queremos ter boas conversas sem precisar gritar. Um bom ambiente, boa cerveja e boa comida fazem diferença”, afirma.
Como participar?
Os interessados podem se tornar membros da InterNations pelo site oficial ou entrar em contato pelo Instagram do grupo, onde também são divulgadas informações sobre os próximos encontros.
Tanto no Clube Poliglota quanto na InterNations, o inglês costuma ser o idioma principal das conversas. Ainda assim, os grupos reforçam que não é necessário ser fluente para participar. A proposta, segundo os organizadores, é incentivar a prática de idiomas e aproximar pessoas de diferentes culturas em um ambiente acolhedor e descontraído.








