Segunda-feira, 10/08/26

Meta não reativa WhatsApp suspenso sem motivo nem com decisão da Justiça

Meta não reativa WhatsApp suspenso sem motivo nem com decisão da Justiça
Meta não reativa WhatsApp suspenso sem motivo nem com decisão – Reprodução

Para Luã Cruz, do CTRL+Z, o caso do gerente de TI mostra ainda um reiterado desrespeito da Meta a decisões judiciais, sobretudo a liminares.

A organização da qual ele faz parte mantém um arquivo de casos simbólicos de abusos de grandes empresas de tecnologia. Uma das primeiras ocorrências registradas foi o do jornal “Gazeta de Vargem Grande”, que teve a conta no Facebook suspensa após acusação de aplicar golpes por ter publicado um anúncio de emprego legítimo. Em maio, o periódico obteve liminar, que obrigou a Meta a reativar a conta, mas até agora a empresa não cumpriu a decisão. Nesse meio-tempo, o limite da multa diária, fixado em R$ 10 mil, já foi superado.

Aí a Meta recorre ao STJ ou ao TJSP, que mantém a multa. Com jurisprudência já consolidada, ela paga ou negocia o valor para encerrar a execução, e a conta é reativada. Às vezes, a conta não é reativada, pois eles alegam indisponibilidade técnica. Mas isso só ocorre após o valor da multa superar o custo operacional de ignorar a ordem
Luã Cruz, diretor do CTRL+Z

A percepção é compartilhada por outros advogados. Lucas Mourão, sócio do escritório Flora, Matheus e Mangabeira, desabafou em post no X no começo de julho: “Só hoje apresentei três petições em processos distintos denunciando o não cumprimento de decisão judicial por parte da Meta/Facebook. A empresa deliberadamente rasga decisões judiciais TODOS OS DIAS, e o Judiciário, sabe-se lá o motivo, fica acuado feito um cachorrinho indefeso, aplicando ‘multas’ de DUZENTOS REAIS a uma empresa que em 2025 faturou mais de UM TRILHÃO DE REAIS. Resultado? A empresa nem cumpre a decisão, nem paga a multa e o Judiciário se recusa a aumentar o valor da multa pra ‘evitar enriquecimento sem causa'”.

Outros advogados são mais criativos. Victor Teles relata ter ido com um oficial de Justiça até a sede da Meta em São Paulo após a empresa ignorar uma liminar por 30 dias. Em uma hora, diz ele, conseguiu desbloquear uma conta no Facebook.


T LB

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