Sexta-feira, 21/08/26

Concentração de pagamentos de emendas no começo do ano muda trajetória fiscal, diz IFI

Concentração de pagamentos de emendas no começo do ano muda trajetória fiscal, diz IFI
Concentração de pagamentos de emendas no começo do ano muda – Reprodução

FELIPE GUTIERREZ
FOLHAPRESS


O governo acelerou o pagamento de emendas parlamentares no primeiro semestre de 2026, algo que costuma se repetir em anos de eleição, afirma a IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado, em um relatório publicado nesta quinta-feira (20).

A antecipação está prevista na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) deste ano. Foi determinado que 65% do valor destinado a emendas, tanto as individuais de deputados e senadores como as de bancadas estaduais, deveriam ser pagos até o fim de junho. Segundo a IFI, essa execução concentrada no início do ano é típica de anos eleitorais.

A antecipação do pagamento das emendas parlamentares tornou a política fiscal expansionista, diz a IFI.

Trata-se de uma mudança de rota, porque, pelos mesmos critérios, em 2025 a política fiscal foi contracionista.

Esses desembolsos concentrados explicam em parte a piora das contas públicas neste ano. Além disso, os pagamentos das emendas podem aumentar o volume de restos a pagar, compromissos que o governo assumiu em exercícios anteriores, mas ainda não quitou de fato.

A soma de restos a pagar de despesas discricionárias (não obrigatórias) e emendas é de R$ 105,5 bilhões.

O estoque de dívidas de emendas de bancada estadual e de comissão já ultrapassa todo o limite de pagamento disponível para 2026. Segundo a IFI, não existe espaço em caixa para quitar essas obrigações neste ano.

SEM OS DESCONTOS LEGAIS

O relatório mostra que, apesar de o governo estar cumprindo a meta estabelecida por lei, o resultado fiscal primário efetivo permanece negativo. Nos sete primeiros meses do ano, o governo central acumulou um déficit primário efetivo de R$ 81,2 bilhões. As receitas líquidas cresceram 6% em termos reais, impulsionadas, em parte, pela alta do preço do petróleo a partir do conflito no Oriente Médio, mas as despesas primárias subiram ainda mais rápido, a 6,3% em termos reais, puxadas pela forte expansão dos gastos discricionários, de 44,5%, e das emendas.

Formalmente, o governo consegue bater a meta fiscal estabelecida para este ano, mas a IFI afirma que isso só acontece devido às deduções legais permitidas pela legislação. Descontando os artifícios legais, o resultado das contas públicas é de déficit primário efetivo de 0,4% do PIB em 2026.

RESULTADO ESTRUTURAL

O instituto também calculou o resultado primário estrutural, uma métrica que busca enxergar a posição fiscal subjacente ao remover os efeitos temporários do ciclo econômico e de eventos não recorrentes (como o preço atípico do petróleo ou a economia aquecida). Por esse critério, o rombo dobrou: o déficit estrutural passou de 0,7% do PIB no acumulado de quatro trimestres até junho de 2025 para 1,4% do PIB no mesmo período de 2026.


T LB

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